Sinsej e Chapa 2 juntos, ganho para a luta sindical

O exemplo da luta dos servidores públicos nas greves de 2010 e 2011 encheu de inspiração os trabalhadores metalúrgicos que hoje formam a Chapa 2 “Resistência Metalúrgica”. Impressionados pela coragem dos servidores ao enfrentar a prefeitura, esses trabalhadores procuraram os diretores do Sinsej para retomar a luta no Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville. Nas eleições da entidade, em 28 e 29 de agosto, o Sinsej estará ao lado desses trabalhadores, para que eles entrem novamente no palco principal dos movimentos sociais da cidade.

A última vez que duas chapas se enfrentaram nessa categoria foi em 1994, quando a primeira chapa ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) derrotou uma gestão que não tinha compromisso com os operários. Nessa época, o presidente eleito foi o trabalhador da fábrica Ciser Adolfo Constâncio. Era o início de uma história que prometia mudar os rumos da luta de classes da maior cidade catarinense. Mas no decorrer desses 18 anos apareceram problemas e adaptações que mudaram o rumo do trabalho.

Entendendo que nos últimos anos a atual direção se desviou da defesa daqueles que estão no chão de fábrica, os trabalhadores que compõem a Chapa 2 procuraram apoio para mudar a situação. “Procuramos o vereador Adilson Mariano, pelo seu histórico de luta ao lado dos trabalhadores. Então fomos apresentados ao pessoal do Sinsej”, lembra o esmerilhador da Tupy Engelberto Dalabona, candidato a presidente pela chapa de oposição. “O Sinsej prontamente se dispôs a nos ajudar a retomar a história de luta dos metalúrgicos”, descreve.

Solidariedade de classe

Vindo também de um movimento de oposição cutista, o presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, explica que a formação da Chapa 2 representa um ganho para a luta sindical. “Imagine três, quatro, cinco sindicatos comprometidos com a classe trabalhadora na cidade? Isso fortaleceria muito o combate do conjunto dos trabalhadores”, diz. Para ele, essa chapa retomará os princípios cutistas. “Apoiamos a Chapa Resistência Metalúrgica por serem companheiros que representarão bem a categoria”, afirma.

Reconquistar para a luta

Como fez há 18 anos, quando tirou a direção fura-greve do sindicato, o ex-presidente Adolfo Constâncio decidiu entrar na Chapa 2 para mudar novamente a história da entidade. “A gente tá nessa luta porque essa atual direção abandonou a categoria”, dispara o veterano que desde 2002 está fora da cabeça da entidade. “Para reconquistar o sindicato, precisávamos do apoio de um sindicato combativo e forte. Por isso, procuramos o Sinsej.”

Servidores como exemplo

Adolfo explica que a luta que os servidores protagonizaram, desde 2010, inspirou os metalúrgicos. “Vimos o exemplo da última greve dos servidores (2011), que mostrou coragem ao enfrentar a prefeitura. Ao contrário da atual direção dos metalúrgicos que está no ar condicionado do sindicato”, completa Constâncio.

Contextualização da disputa

A Chapa 1 se chama “Unidade na Luta” e reúne a maioria da atual gestão do Sindicato dos Metalúrgicos. No segundo semestre de 2011, uma parte dessa gestão, que estava no chão de fábrica, rompeu politicamente. “A direção não estava encaminhando as lutas, ele se acomodaram”, lembra Engelberto, que foi um dos que se desligou. “As pessoas que racharam estão dispostas a fazer a diferença”, argumenta lembrando os que se somaram ao movimento de oposição.

Essa disputa será decidida pelos metalúrgicos de Joinville no final de agosto. O Sinsej está ao lado desses trabalhadores, participando de suas lutas como nas greves puxadas pelos próprios operários na Wetzel em 2011 e na Tupy neste ano. Por isso, o Sinsej apóia a Chapa 2 “Resistência Metalúrgica”, por acreditar que ela representa a possibilidade de retomada da história iniciada em 1994. Como naquela época, duas chapas se colocam à disposição nas urnas. Uma defendendo a continuidade da atual prática sindical. Outra inspirando novos rumos para a categoria.

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