O gigante acordou. E agora?

Por Josiano Godoi*

Pauta da classe trabalhadora toma as ruas. Foto: Francine Hellmann

Um meme no Facebook diz que agora que o gigante acordou, falta tomar banho, escovar os dentes e ir pra escola, porque nada mudará sem educação.

Guardando a devida proporção do papel da escola, a brincadeira traz o cerne do debate que se abriu no último mês: agora que setores da sociedade começam a despertar, conscientes ou não da exploração capitalista, qual é a direção a tomar para que as palavras de ordem não se percam e a classe a trabalhadora avance?

O despertar das massas ainda não veio

O dia 20 de abril de 2013 já entrou para a história. Depois da violenta repressão policial às manifestações de 14 de junho contra o aumento das passagens do transporte público de São Paulo, uma onda de protestos e atos públicos se espalhou pelo Brasil e até pequenas cidades viram a população sair às ruas. À palavra de ordem de redução do preço das passagens começaram a se somar reivindicações por melhores serviços públicos, mais recursos para educação e saúde, e menos dinheiro para a Copa do Mundo de 2014.

Em menos de uma semana viram-se os governos passar da repressão à tolerância às manifestações; viu-se a grande imprensa nacional passar do ataque dos manifestantes “vândalos” e “baderneiros” para um apoio escancarado às idéias capazes de conter as mobilizações. Pautas como a PEC 37 e a reforma política tomaram o lugar das reivindicações por melhores serviços públicos numa clara tentativa dos meios de comunicação de pautar as manifestações.

Merece destaque a imensa campanha por manifestações “pacíficas”, sem partidos, sem sindicatos nem bandeiras vermelhas, com atenção para o fascismo escancarado de ações que reprimiram manifestações partidárias e agrediram militantes sindicais e de esquerda.

Ficou clara a tentativa da burguesia por meio de seus porta-vozes da imprensa de controlar e direcionar o movimento.

Contudo, mesmo representando uma legítima insatisfação contra a classe política e o mal estar geral que prenuncia a crise econômica, o movimento está sendo inflado por jovens e setores da pequena burguesia urbana. A classe trabalhadora ainda não saiu às ruas.

A tarefa histórica da classe trabalhadora

O nascimento da classe trabalhadora trouxe consigo a tarefa histórica de derrotar o sistema capitalista e promover a emancipação da humanidade. Partindo dessa premissa, não será a pequena burguesia gritando “fora partidos” que fará com que as demandas mais básicas da sociedade sejam atendidas. Somente o proletariado organizado terá a capacidade de fazer frente às investidas do grande capital.

Por conta disso, é crucial o papel que jogarão os sindicatos e as centrais sindicais.

O papel dos sindicatos das centrais

Pego de surpresa e expulso de muitas manifestações, o movimento sindical corre atrás do prejuízo. Pode ser que verdadeiro gigante esteja acordando. Os sindicatos e centrais começam a despertar para a necessidade de mobilizar suas bases pelo atendimento das reivindicações já quase esquecidas.

O dia de ontem, 11 de julho, colocou as reivindicações da classe trabalhadora nas ruas. Mas as centrais sindicais, em especial a CUT, têm a responsabilidade de ir ainda mais longe, envolvendo verdadeiramente suas bases na construção de uma greve geral de massas e construindo a derrubada do capitalismo.

Isso porque mesmo o atendimento de todas as reivindicações é uma fase transitória e não afastará dos ombros dos trabalhadores o jugo da exploração deste sistema.

A tarefa das centrais sindicais e dos seus sindicatos é levantar, de uma vez por todas, a bandeira da construção de uma sociedade socialista.

A pauta de reivindicações da classe trabalhadora:

– Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais;
– Abaixo a repressão;
– Por uma empresa pública de transporte com Tarifa Zero;
– Vagas para todos na educação pública, da creche à universidade;
– Fim do pagamento da dívida interna e externa (que consume cerca de 47% do orçamento da União);
– Todas as verbas necessárias para a educação e a saúde;
– Reforma agrária;
– Anulação dos leilões do petróleo;
– Fim do fator previdenciário;
– Fim do imposto sindical;
– Abaixo a repressão;
– Aplicação dos 33,33% de hora-atividade;
– 30 horas para enfermagem;
– Fim das terceirizações;
– Fim das privatizações no serviço público.
*Josiano Godoi é diretor tesoureiro do Sinsej

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

17 − dois =