Joinville não precisa de Guarda, precisa de saúde e educação

Por Ulrich Beathalter*

Desde o início de seu governo, o prefeito Udo Dohler deixou claro um de seus objetivos: a criação de uma Guarda Municipal. Anunciada em janeiro junto à reforma administrativa, a proposta tomou corpo nas últimas semanas. Porém, é preciso considerar que, desde as eleições de 2012, Joinville deixou claro que sua prioridade é a saúde.

A realidade joinvilense ainda é de postos de saúde fechados pela Vigilância Sanitária. O Hospital São José precisa de pelo menos R$ 25 milhões de investimento para funcionar em condições ideais.

Além disso, não há vagas suficientes na educação infantil e o turno intermediário continua pairando como um fantasma em algumas regiões.

A proposta de uma Guarda Municipal vai contra os anseios da população e ajuda a mascarar um problema cuja responsabilidade não é da Prefeitura. Em Santa Catarina os governos estaduais têm se revezado em dívidas com as corporações militar e civil. Faltam equipamentos, estrutura e pessoal. A PM aguarda há mais de oito meses por uma negociação. Em junho foi a Polícia Civil que esteve em greve, reivindicando uma evolução salarial ignorada por 13 anos. O lógico seria o governo municipal cobrar investimentos nesses setores e não assumir para si responsabilidades que não cabem no bolso da cidade.

Na última semana a Prefeitura anunciou suas medidas de “reestruturação” da saúde. Na prática, um posto de saúde já foi fechado e ela pretende deixar diversas unidades mais longe dos usuários. Com isso, a intenção é investir apenas R$ 13 milhões até 2017. Para o funcionalismo municipal não há perspectivas de investimento que garantam avanços nas revisões e reajustes salariais. O magistério ainda espera o cumprimento da Lei do Piso e o pagamento dos 33% de hora-atividade, que custará menos de R$ 800 mil por ano.

Em contrapartida, para a Guarda Municipal a Prefeitura já providenciou a compra de 100 tasers (armas de choque não letais), 300 sprays de pimenta, quatro automóveis, quatro motocicletas e duas bases móveis de monitoramento por câmeras. E essa é apenas a parte inicial de um investimento que até 2016 pode chegar a R$ 50 milhões por ano.

Nossa cidade precisa de saúde, educação, infraestrutura, cultura, lazer, esporte. Aqui, a Guarda Municipal tem apenas o objetivo de mascarar o descaso do governo do estado para com seus compromissos. Essa conta o joinvilense não pode pagar.

* Ulrich é presidente do Sinsej

** Artigo divulgado no jornal A Notícia no dia 11 de setembro de 2013.

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