Trabalhadores catarinenses estão doentes

Por Jean Almeida*

Problema também afeta servidores municipais

Na última sexta-feira, a pedido do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), UFSC e Univali apresentaram uma pesquisa sobre a saúde dos trabalhadores de Santa Catarina. Levantando dados entre 2009 e 2011, entre as 15 maiores categorias da indústria no estado, os números são alarmantes: o trabalhador catarinense adoece 49% mais do que no restante do país. E o que ainda é mais preocupante, segundo o próprio MTE, é que boa parte destes casos não são registrados como acidentes de trabalho ou decorrentes dele.

Somente no setor de carnes e frigoríficos, 39% dos trabalhadores, de um conjunto de 50 mil profissionais, afastaram-se do trabalho por doença. No vestuário e no comércio varejista os números rondam os 30%. Ainda cabe uma boa investigação para tentar alcançar os motivos de tantos afastamentos, mas é possível observar empiricamente que a situação se atrela diretamente às condições de trabalho. Condições precárias ou insuficientes de segurança no trabalho e ergonomia, jornadas excessivas e quantidades de trabalhadores insuficientes.

No setor público a relação não deve estar longe. Recentemente, a Secretaria de Gestão Pessoas divulgou (extra-oficialmente) o número 3 mil atestados emitidos aos servidores municipais por dia, em Joinville. Um número absurdo. Matematicamente impossível e irresponsável. Se colocarmos esse número num cenário de pouco menos de 12 mil servidores, representa mais de 25% de afastamentos diários. É o mesmo que ter todos os postos de saúde fechados todos os dias; ou cerca de 75% das unidades escolares sem funcionários; ou ainda fechar três hospitais como o São José todos os dias.

Mas isso não afasta a realidade, o servidor joinvilense está doente. E agora, ao lado dos números do MTE, fica nítido que não é exclusividade nossa. O trabalhador catarinense está doente e cada vez mais desamparado. Assim como faltam políticas de acompanhamento à saúde do trabalhador nacionalmente, faltam da Prefeitura de Joinville para com seu servidor.

A Secretaria de Gestão de Pessoas até hoje nunca apresentou números concretos e fidedignos sobre o absenteísmo no serviço público, mas pior ainda, está devendo há anos uma política em favor da saúde do trabalhador.

Enquanto isso, o Ambulatório do Servidor, que deveria ser a unidade de referência para a saúde do trabalhador do serviço municipal, sequer dá conta das atribuições de medicina do trabalho. Há anos que nenhum servidor realiza exame periódico para avaliar sua saúde.  Nenhum acompanhamento é realizado para avaliar as condições de trabalho nas mais de 300 unidades da estrutura municipal. É um universo de 12 mil trabalhadores desamparados e sem perspectivas para a saúde.

A administração municipal deve muito no quesito saúde para o servidor municipal. Acompanhar, fornecer atendimento clínico especializado, garantir que os servidores estejam em condições saudáveis para o trabalho e ampará-los de maneira adequada em seus afastamentos. Uma questão importantíssima na agenda dos servidores e do sindicato.

O Sinsej já apresentou a saída, inclusive através da via pública, com o incremento do Ambulatório do Servidor, tornando-o uma policlínica. Garantindo atendimento gratuito e completo ao servidor. Até mesmo o investimento foi apontado, revertendo os repasses feitos ao insuficiente e moribundo plano da saúde Vitaserv. No entanto, a Prefeitura encerrou o repasse no início deste ano e o destino desse dinheiro hoje é incerto.

Todo empregador tem responsabilidade sobre a saúde de seus empregados. Subtrair toda a força de trabalho de um ser humano e devolver a ele todo o ônus para recuperar sua saúde, depois de anos de dedicação, é desumano.

 *Jean é diretor sindical do Sinsej

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