A greve dos servidores de Joinville continua

Grevistas apresentaram contra-proposta para o governo | Foto: Francine Hellmann
Grevistas apresentaram contra-proposta para o governo | Foto: Francine Hellmann

Os servidores de Joinville deram nesta sexta-feira (30/5) mais uma grande prova da sua bravura. Embaixo de sol, eles aguentaram firmes quase sete horas em frente à Prefeitura, rejeitaram uma nova proposta do governo, formularam uma contraproposta e decidiram continuar em greve. O próximo ato do movimento será na segunda-feira (2/6), às 9 horas, no mesmo local.

A reunião de negociação entre a Prefeitura e o sindicato, que começou às 10 horas, estendeu-se até aproximadamente 14 horas. Dela, resultou a primeira proposta do governo após o início da greve, que foi considerada insuficiente pelos trabalhadores. Nela, a Prefeitura concordava em conceder 1,18% de ganho real a partir da folha de janeiro de 2015 e escalonava o aumento do teto do vale-alimentação até atingir o nível 15 da tabela salarial, também até janeiro. Além disso, exigia a reposição de 10 dias de paralisação.

Os diretores do Sinsej insistiram veementemente por horas para que a proposta fosse melhorada, com o objetivo de encontrar uma solução para o fim do movimento ainda hoje. Porém, Udo Döhler voltou a afirmar que não possui fôlego financeiro para ir além e foi irredutível. Só depois de muito diálogo o poder Executivo foi convencido a apresentar a reposição dos dias paralisados.

Contraproposta

Proposta da Prefeitura foi considerada insuficiente | Foto: Francine Hellmann
Proposta da Prefeitura foi considerada insuficiente | Foto: Francine Hellmann

De volta ao caminhão de som, os diretores do Sinsej apresentaram a proposta e interromperam a assembleia para que os servidores pudessem conversar e analisar. O resultado foi a formulação de uma contraproposta da categoria, pedindo que o ganho real seja de 3% e pago ainda em 2014, mesmo que de forma parcelada. Também se pediu que o escalonamento da elevação do teto do vale-alimentação seja feito dentro deste ano. Quanto aos dias parados, os trabalhadores compreendem que o ônus da greve deve ser dividido com a Prefeitura, que só negociou realmente no décimo primeiro dia da paralisação. Sendo assim, solicitaram o abono de seis dias e a reposição dos outros seis.

A greve continua

A contraproposta da categoria foi levada ao governo novamente no período da tarde, mas não foi aceita. Dessa forma, a assembleia decidiu pela continuidade da greve. O presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, alertou a todos sobre a responsabilidade que recai em cada trabalhador a partir de agora. “Temos um compromisso coletivo, entramos juntos neste movimento e sairemos juntos”, falou. “O sindicato irá junto até onde vocês quiserem, mas quero ver todos vocês de corpo e alma nesta greve, nos comandos, na Câmara de Vereadores e nas atividades convocadas”. Ele lembrou que, com o endurecimento da Prefeitura nas negociações e com a judicialização, será preciso aumentar ainda mais o número de servidores paralisados.

Proposta da Prefeitura, rejeitada hoje:

– Reposição da inflação, de 5,82%, referente a maio.

– 1,18% de ganho real em janeiro de 2015.

– Reajuste na base de corte do vale-alimentação nos seguintes termos:

a) 30% sobre a base atual a partir de 1º de maio (R$ 3120)

b) 45% sobre a base atual a partir de 1º de setembro (R$ 3480)

c) Pagamento a todos os servidores que estiverem enquadrados até o Grupo Salarial 15 a partir de 1ª de janeiro de 2015 (R$ 4381,89)

– Reajuste de 20% no valor do vale alimentação, passando a R$ 234,36 a partir de 1º de maio.

– Extensão da concessão de gratificação de alta complexidade aos servidores do Hospital São José ocupantes dos cargos de fonoaudiólogo e nutricionista.

– Redução da jornada dos agentes administrativos das escolas, para 30 horas semanais, a ser implementada no decorrer de 2015.

– Realização de estudos para avaliação da possibilidade de implementação da jornada de 30 horas semanais para os servidores que atualmente cumprem 35 horas no São José.

– Abono dos dias 19 e 30 de maio.

– Reposição das demais horas paradas.

– Extinção das medidas judiciais propostas pela Prefeitura.

– Instalação de uma mesa de negociação permanente para discutir a regulamentação dos 15 dias de recesso do magistério durante o ano letivo.

– Manutenção das demais cláusulas acordadas anteriormente.

Contraproposta da categoria:

– 3% de ganho real parcelados ao longo de 2014.

– Escalonamento da elevação da base de corte nos valores propostos pela Prefeitura ao longo de 2014.

– Abono de seis dias de greve.

– Reposição de seis dias de greve.

– Manutenção das demais cláusulas acordadas.

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