Seu Renato, sentimos saudades!

Em novembro do ano passado Renato de Souza Teixeira nos deixou. Ele era uma figura muito querida da categoria e fará falta nas lutas que nos esperam pela frente. Esteve presente em todos os grandes movimentos de defesa dos servidores de Joinville, inclusive no último ano, com a saúde já debilitada. Este homem deu um pedaço da vida a Joinville, trabalhando em um tempo onde a saúde do servidor importava ainda menos. E, acima de tudo, ele nunca abandonou seus companheiros.

Abaixo, relembramos um perfil do Seu Renato, que foi publicado no Jornal do Sinsej, em outubro de 2011. 

Sentimos saudades!

Renato Teixeira, um exemplo de consciência

Por Francine Hellmann

Em uma quinta-feira pela manhã ele cuidava de sua horta e usava a camiseta da greve dos servidores municipais de 2011, com a frase “Se a situação é grave, a solução é greve”. Ele não perdeu nenhum dia das paralisações que a categoria realizou em 1992, 2010 e 2011. Renato Teixeira tem 65 anos e trabalhou 16 anos para a Prefeitura de Joinville, de 1984 a 2000. Foi operacional de obras em um tempo em que o trabalho era essencialmente braçal. Aposentou-se por invalidez, com uma hérnia de disco e bronquite, mas ainda participa de todas as atividades sindicais. Em sua simplicidade, Renato transpira consciência de classe: “Participei da greve para ajudar os companheiros pais e mães de família”.


Ele entrou na Prefeitura como contratado, pois antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 não se exigia concurso. Durante toda a vida funcional no Município foi lotado na Intendência de Pirabeiraba e realizou trabalhos dos mais variados. Havia horário para entrar, às 7h30, mas nunca par sair. Ajudou a construir e consertar pontes, colocar tubos e até mesmo abrir covas. “Às vezes morria alguém sábado ou domingo e não tinha escolha, vinham me buscar para trabalhar”, conta. “Naquele tempo não tinha máquina, era tudo na corda, no muque”.

O esforço físico sem limites e a falta de segurança no trabalho eram comuns na época e ficam evidentes nos problemas de saúde que Renato desenvolveu ao longo dos anos. “A gente pulava no rio e ficava horas com água no peito”, relata. “A água do Quiriri é gelada”.

Ao lado de sua esposa, Olga Teixeira, que sempre trabalhou no Hospital Bethesda, ele construiu uma casa no Rio Bonito e criou um casal de filhos.  “O que eu sofri na minha vida, olha, não foi fácil”, compartilha emocionado.

Na prática, após a Constituição de 1988, quando os então servidores contratados viraram estatutários, o dinheiro que Renato recebia diminuiu, pois antes eram pagas horas-extras. “Era muito pouco e nós estávamos construindo a casa”, conta Olga.

A aposentadoria

Em 2000, Renato submeteu-se a uma cirurgia de hérnia de disco e ficou impossibilitado de trabalhar. Antes disso, nunca havia faltado a um dia de serviço. Foi aposentado por invalidez, com proventos baixos, e recebia uma cesta básica do Ipreville. Porém, em meio à greve desse ano, no dia em que a nova lei do vale-alimentação passou a ser aplicada aos servidores, as cestas dos aposentados por invalidez foram cortadas.

Mesmo após uma vida tão dura, Renato não descansa. Esse ano, durante os 40 dias de greve ele saiu do conforto de sua aposentadoria em casa e foi até o Centro, para participar da assembleias, atos e comandos de greve. Agora, ele promete que será atuante na secretaria de aposentados do Sinsej.

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