Superar ataques do governo e vacilos das Centrais

A lógica do momento é a instabilidade. Nada mais é sólido e confiável. A Constituição, as leis, o poder Executivo, o Legislativo e o Judiciário – hoje são meros instrumentos nas mãos de quadrilhas que assaltam o dinheiro e o serviço público e querem destruir todos os direitos dos trabalhadores. Isso é um fenômeno mundial. À medida que a crise do sistema capitalista avança, banqueiros e empresários abandonam toda “ética”, leis ou acordos para abocanhar o que puderem das riquezas públicas. Vivemos uma anarquia do sistema, própria do esfacelamento do “estado de bem estar social” e de toda a “conciliação de classes” – política defendida por amplos setores da esquerda. Durante anos tentaram nos convencer de que era possível governar com os capitalistas. Que era possível construir um capitalismo mais humano. Que era possível uma política desenvolvimentista que trouxesse paz e prosperidade para toda a nação, mesmo com o mundo capitalista em colapso.

As ilusões morreram. Temos uma classe inimiga, que para continuar lucrando e mantendo seus vastos privilégios, precisa esmagar nossos direitos. É com o nosso desemprego, com a diminuição do nosso salário, com o fim da nossa aposentadoria, dos serviços públicos e dos direitos trabalhistas, que os grandes banqueiros, empresários, latifundiários, especuladores e rentistas brasileiros e de toda parte do mundo vão continuar garantindo seus lucros. Juízes, deputados e senadores estão envolvidos até a medula na rede de corrupção organizada pelos grandes capitalistas para controlar o Estado. Nessa situação explosiva, nenhum trabalhador pode vacilar. É hora de saber de que lado está. Dos companheiros que perdem o emprego, que veem sua qualidade de vida e de trabalho se deteriorar ou da classe empresarial, nossa inimiga, que gasta milhões com propaganda para convencer que perder direitos é bom.

Além de nos unir e organizar, precisamos cobrar das Centrais mais objetividade e combatividade. É evidente que manobram para dispersar o povo que quer lutar. Chega de decisões de gabinetes. Chega de atividades em reuniões de “executivos”. Urge respostas mais eficazes aos ataques. Frente às votações da Reforma Trabalhista e da Previdência, o que se propõe? Ocupar Brasília? E como faremos isso, sem a deflagração de greve em todo o país? Os dirigentes, sozinhos, não vão resolver nossos problemas. É preciso deixar milhões de jovens e trabalhadores decidirem o que querem fazer.

Defendemos um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora (Enclat), dos movimentos sociais e da juventude, em que as bases possam se manifestar e votar. Queremos Assembleias Populares para organizar a luta em cada cidade. Esse é nosso papel dentro da CUT. A maior central sindical da América Latina precisa ocupar seu papel e organizar de fato as categorias para o enfrentamento. Isso não se dá por decreto. É preciso dar voz e voto às bases dos sindicatos.

A CUT pode e deve organizar esse Enclat. A hora é agora! Ou ocupamos nosso lugar na história ou seremos esmagados por nossos inimigos. Chega de exploração! Vamos construir uma nova sociedade, onde os seres humanos possam viver em plenitude.

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