Servidores municipais de Joinville estão em greve

 

Nesta quarta-feira (18/6), novo ato em frente à Prefeitura, às 9 horas | Foto: Aline Seitenfus
Nesta quarta-feira (18/6), novo ato em frente à Prefeitura, às 9 horas. Toda a categoria é chamada a cruzar os braços e aderir à greve | Foto: Aline Seitenfus

Os servidores municipais de Joinville entraram em greve na segunda-feira (18/6). De manhã, a categoria realizou uma manifestação em frente à Prefeitura. À tarde, diversas equipes percorrem os locais de trabalho convidando mais colegas a cruzarem os braços. Para a diretora do Sinsej, Flávia Antunes, há muito tempo não se via uma greve que começa com um grupo tão consciente e disposto a ajudar a ampliar o movimento.

Na terça (19/6) também é dia de visitas às unidades, com saída dos comandos pela manhã, às 7 horas, e pela tarde, às 13 horas, do sindicato. Às 17 horas ocorre reunião de avaliação no Sinsej.

Na quarta-feira (20/6) será realizado um grande ato, às 9 horas, em frente à Prefeitura, com o objetivo de fazer a Prefeitura reabrir as negociações. O presidente do Sinsej, Ulrich Beathalter, ressaltou que os trabalhadores não devem se intimidar com ameaças feitas pelas chefias e publicadas na imprensa. “Não podemos nos deixar confundir, isso faz parte da estratégia do prefeito para enfraquecer e dividir o movimento”, disse.

Até o momento, Udo Döhler propôs reajustar os salários em apenas 1,69% e somente em agosto. A categoria pede a reposição da inflação mais 5% para compensar perdas salariais acumuladas ao longo dos anos. Também quer respeito à data-base, que é 1º de maio. Em relação ao vale-alimentação, a Prefeitura oferece um reajuste de R$ 13,25, passando o benefício que hoje é de R$ 296,75 para R$ 310. Os servidores consideram justo um aumento que alcance o valor da cesta básica apurado pelo Dieese, de R$ 425.

Outras questões relevantes foram totalmente ignoradas pelo governo. É o caso da retomada da licença-prêmio e da venda de um terço de férias – direitos estatutários que foram cortados há três anos por meio de uma simples portaria. Também ressalta-se a regulamentação de lotação e da transferência, sem a qual os trabalhadores estão constantemente sujeitos a punições e assédio moral.

Para o magistério, há um grave problema com a aplicação da hora-atividade. Há uma lei federal de 2008 que estabelece que um terço (33,33%) da carga horária do professor deve ser cumprida fora da sala, na preparação de aulas e correções. A Prefeitura de Joinville só concede 20% de hora-atividade e, em 2014, Udo prometeu que apresentaria uma proposta para garantir o direito total até 2019. Agora, às vésperas de se completar esse prazo, ele tenta manobrar:

1 – para os professores de Ensino Fundamental I (séries iniciais), Udo considera os 30 minutos diários de recreio como já sendo hora-atividade. Com isso, ou o professor perde o direito ao tempo de lanche ou continua levando trabalho para casa.

2 – para os professores de Ensino Fundamental II (séries finais) ele computa a diferença entre a hora-aula de 48 minutos e a hora-relógio de 60 minutos como hora-atividade. Ou seja, Udo quer que os professores acreditem que, para cada aula dada, o governo já está “permitindo” que eles trabalham 12 minutos a menos e que isso é hora-atividade.

Há ainda vários outros pontos importantes na Pauta de Reivindicações 2018, que contemplam todos os setores da categoria.

O Sinsej convoca cada servidor a paralisar imediatamente. Os locais que precisarem de orientação podem entrar em contato com a entidade e solicitar a presença dos comandos de greve. Apenas com unidade, organização e luta será possível reconquistar os direitos roubados por esse governo e ampliá-los.

Tire dúvidas sobre a greve aqui.

Texto editado em 19/6, às 12h19

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