Servidores aprovam paralisação para sexta-feira (27) em assembleia

Em assembleia realizada na noite desta segunda-feira, no auditório do Sinsej, a categoria decidiu paralisar as atividades na próxima sexta-feira, dia 27 de fevereiro, com manifestação em frente à prefeitura. O encontro teve como pauta principal a deliberação da devolutiva do executivo sobre a Campanha Salarial de 2026.


Abertura e contexto salarial
Maciel Frigotto, diretor do sindicato, abriu os trabalhos apresentando a pauta da assembleia e aproveitou para expor os dados do Dieese sobre o déficit salarial acumulado pela categoria, reforçando a necessidade de reposição das perdas.

Informe político
Em seguida, a diretora Bruna Machado dos Reis fez um informe sobre a conjuntura do serviço público em Joinville. Bruna alertou os presentes para uma tentativa da prefeitura de desmobilizar a categoria. Depois da primeira mesa de negociação entre o Sinsej e Rejane Gambin, prefeita em exercício, o executivo divulgou a reunião de negociação como se a pauta já tivesse sido aprovada pelos servidores, utilizando, tanto a imprensa interna, quanto portais de notícias pagos pela administração municipal.


“A prefeitura ignora que as pautas são discutidas e decididas em assembleia pela categoria. Aqui não se administra por decreto, como muitas vezes o prefeito Adriano Silva (Novo) faz”, afirmou a diretora.

 

Bruna ressaltou ainda que é dever do servidor e da população combater a política do Partido Novo, cuja principal missão na cidade é destruir o serviço público para depois entregá-lo aos seus amigos da iniciativa privada. Como exemplo, citou a situação do Hospital Municipal São José, onde a terceirização de setores acabou em abandono após o enriquecimento de empresas. “Enchem os bolsos de dinheiro e depois abandonam o serviço”, declarou.

A diretora também relatou a insinuação feita por secretários municipais durante a mesa de negociação de que o Sinsej, que ultrapassa 4 mil filiados, não representaria todos os servidores. O argumento não é apenas pueril e conflitivo, mas demonstra profundo desconhecimento da legislação e da luta histórica dos trabalhadores. Pela mesma lógica apresentada por estes comissionados, todos os vereadores do Novo na Câmara deveriam ser exonerados, já que receberam apenas 3 ou 4 mil votos em um universo de mais de 400 mil votantes na cidade.


Relato da mesa de negociação
A presidente do Sinsej, Mara Tavares, tomou a palavra para fazer um relato detalhado da reunião com a prefeitura. Na ocasião, a impressão passada foi de que a atual prefeita não conhecia a pauta entregue em novembro. Mara criticou a postura de secretários e assessores que, em vez do diálogo, optaram por comprometer a negociação, num evidente desprezo aos servidores.

Ao detalhar as propostas apresentadas pelo executivo, Mara destacou a incongruência em relação ao piso do magistério. A proposta da Prefeitura, explicou, achata a carreira ao fazer com que um professor com 15 ou 20 anos de serviço acabe ganhando o mesmo que um recém-chegado. “É um achatamento de carreira”, resumiu.

A presidente do sindicato também explicou que os aportes adicionais para o pagamento da licença-prêmio são insuficientes, já que as listas estão em pleno crescimento. Abaixo o gráfico:

Mara finalizou classificando a reunião como “vergonhosa” diante de tudo o que foi apresentado pelo sindicato desde novembro do ano passado. Diante do cenário, a direção do sindicato apresentou a proposta de paralisação no dia 27 de fevereiro, com manifestação em frente à Prefeitura, para tornar público o descontentamento da categoria e solicitar a reabertura da mesa de negociação com o Executivo.

Decisão da categoria e relatos dos servidores

A categoria acatou a proposta da direção e aprovou a paralisação, em rechaço ao prefeito e sua política de desvalorização dos servidores, considerando as propostas do executivo insuficientes.

Nos momentos de intervenção, os servidores relataram problemas estruturais nos locais de trabalho, casos de assédio e outras dificuldades do dia a dia. Uma dúvida recorrente entre os trabalhadores presentes foi sobre a possibilidade de adesão à greve por parte daqueles que estão em estágio probatório.

Esclarecimento sobre estágio probatório
O Sinsej esclareceu que é perfeitamente possível e legal a participação de servidores em estágio probatório em greves, paralisações e outras atividades convocadas pelo sindicato. A entidade informou que já distribui materiais no formato “Perguntas e Respostas” e publica conteúdos na internet justamente porque há chefias que pressionam para que não haja adesão aos movimentos.

A participação em greves e paralisações por parte de quem está ainda em estágio probatório não pode ser levada em consideração na avaliação de desempenho. O que deve ser avaliado são critérios como assiduidade, pontualidade e desempenho profissional.

O Sinsej convoca todos os servidores a se engajarem  na paralisação na próxima sexta-feira, dia 27. Todos juntos em frente à prefeitura, reforçando a luta por valorização e respeito ao funcionalismo público municipal.

A luta nos chama.

 

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