Número de alunos por sala de aula

Por Ulrich Beathalter

Não é de hoje que se ouve falar muito dos problemas enfrentados pelos professores no desempenho de suas atividades. Todas as pessoas conhecem e se compadecem com a situação vivida por nossos mestres: os baixos salários, a falta de reconhecimento, o alto nível de estresse, a indisciplina dos alunos…

Mas hoje gostaria de focar uma questão apenas: o número de alunos em sala de aula. Para quem não trabalha em sala de aula, parece uma questão de menor importância. Afinal, que diferença poderia haver se na sala estiverem cinco ou seis alunos a mais ou a menos?

Os professores que atuam em sala todos os dias sabem que essa é uma das questões mais relevantes, do ponto de vista da qualidade do ensino e da qualidade de vida e de trabalho do professor. O desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem não se dá de forma linear. Ou seja, os alunos não aprendem todos da mesma maneira e na mesma velocidade. Então, cada aluno a mais na sala exige do mestre um esforço adicional, para tentar elevar o desenvolvimento cognitivo dos alunos de menor rendimento, ao mesmo tempo em que não permita a ociosidade dos alunos mais avançados.

Salas superlotadas impedem que o professor consiga minimamente reconhecer as dificuldades de cada aluno. E, mesmo que reconheça, o profissional não consegue estabelecer estratégias adequadas para potencializar a aprendizagem de cada criança. Resultado: as aulas e conteúdos são apresentados de forma que, nos cálculos do professor, a maioria da sala consiga entender e interagir com o assunto. Isso faz com que um grupo que apresente dificuldades dificilmente consega acompanhar o raciocínio do mestre. Outro grupo acompanha de forma satisfatória. E um terceiro grupo, ainda, pode ter sua capacidade sub-aproveitada. De qualquer forma, todos acabam prejudicados, por não poderem explorar suas potencialidades ao máximo. O ensino perpetua-se de forma mediana, pra não dizer, às vezes, medíocre.

A situação se agrava nos dias atuais, quando o professor ainda precisa competir com o enorme poder atrativo das novas tecnologias e das redes sociais. Via de regra, os alunos em sala hoje são mais agitados que antigamente, com mais dificuldade de concentração. Então, numa sala superlotada, os problemas se multiplicam.

Reduzir o número de alunos em sala é essencial para melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem dos nossos estudantes. Tem relação direta também com a redução do adoecimento dos profissionais da educação. Claro que tem custos, pois é preciso abrir mais turmas, contratar mais pessoas. Mas são nas atitudes práticas que nossos governantes provam o quanto se preocupam de fato com a educação. Não bastam belos discursos. Quem se propõe a melhorar a educação deve enfrentar questões essenciais como essa que hoje levanto.

Hoje, no município de Joinville, convivemos com a realidade de salas com 40 alunos. Nunca haverá qualidade de fato na educação com esse número. O PL 504, aprovado na semana passada no Senado Federal e que agora é remetido à Câmara dos Deputados, estabelece o máximo de 25 alunos no Ensino Infantil e nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental. Para os demais anos do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, o limite seria de 35 alunos.

Claro que, se considerarmos a realidade em todo o Brasil, este projeto é um avanço. Mas ainda muito aquém da necessidade das nossas escolas e CEIs. Claro que, também, nada impede que cada sistema estabeleça regras mais benéficas. E é isso que nos resta: cobrar do governo municipal um regramento mais compatível com a necessidade, com relação ao número de alunos por sala.

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