A situação do serviço público é desesperadora

Os servidores públicos estão na ponta de um sistema caótico e abandonado. A mídia e o governo jogam a culpa nesses trabalhadores pelas péssimas condições de atendimento para desviar a atenção sobre os verdadeiros responsáveis. É este senso comum incentivado que leva a situações como a que aconteceu no PA Norte ontem, quando, por volta das 3 horas, um médico foi agredido pelo acompanhante de uma paciente.

A violência aconteceu após o profissional informar à usuária que estava finalizando outro atendimento, mas a examinaria em seguida. Poucos minutos depois, o marido dela entrou no consultório e desferiu um soco no pescoço e outro no abdômen do médico.

Este é um exemplo da situação de extrema pressão enfrentada pelos servidores municipais em Joinville. A falta de pessoal para atender à população, estrutura, materiais e remédios resulta em enormes filas e na precariedade do atendimento. Sobretudo nas unidades de saúde, vidas estão em jogo todos os dias, o que leva as pessoas ao desespero.

O que falta em Joinville não é dinheiro para investir no serviço público. Em todos os setores, a Prefeitura prioriza o pagamento de terceirizadas. Não há lógica de economia na entrega de quase a totalidade de exames do SUS a laboratórios privados na cidade, na compra de tubos de terceiros ao invés dos produzidos a preços mais baixos pela Fábrica de Tubos da Prefeitura, na contratação de empreiteiras privadas para fazer obras no lugar de utilizar a mão de obra já disponível nas subprefeituras (onde não há nem mesmo fornecimento de EPIs), entre outros exemplos. A tática do governo é conhecida: abandonar o serviço público para dar dinheiro do povo às empresas amigas da Acij, além de obrigar as pessoas a procurarem serviços privados, como planos de saúde. Tudo isso ajuda os empresários a lucrarem com as necessidades mais sentidas da população.

Não bastasse, o prefeito Udo Döhler considera certo cortar um abono que sempre foi pago para quem mantém PAs, Vigilância Epidemiológica, Detrans, museus, entre outros setores, em funcionamento durante o fim do ano.

Estes são os motivos da greve que começou ontem. A Prefeitura foi avisada das reivindicações dos servidores, do estado de greve deflagrado em 9 de novembro e do início da greve, decidido em 5 de dezembro. Em todas as oportunidades, o sindicato reiterou o pedido de abertura de negociações, mas Udo Döhler permaneceu em silêncio, indiferente à situação da população e dos servidores. Mesmo com o início da paralisação, até o momento nenhuma reunião foi agendada.

Os servidores pedem o apoio da comunidade nessa luta. Eles exigem do governo ações imediatas para melhorar as condições de trabalho, além do pagamento do abono pelo serviço no recesso.

 

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