Hospital São Paulo (Unifesp) expõe fracasso de Organizações Sociais na saúde pública
Há mais de uma semana, os trabalhadores do Hospital São Paulo (Unifesp) estão em greve. Eles denunciam a sobrecarga insustentável de trabalho, agravada por demissões em massa em 2022 — cerca de 200 funcionários foram cortados sob a justificativa de “crise financeira”. O HSP é o único hospital federal gerido por uma Organização Social (OS).
Enquanto a OS lucra com a gestão, as equipes precisam assumir mais pacientes do que o limite técnico recomendado devido à falta de trabalhadores.
A pandemia aprofundou o esgotamento físico e mental dos profissionais. “Não descansamos desde a pandemia e só piorou”, relata uma enfermeira. A greve, portanto, não é apenas por melhores condições para os trabalhadores, mas pela garantia de um atendimento digno aos pacientes em um hospital de alta complexidade.
Em Joinville, já vivemos os efeitos das Organizações Sociais na gestão de serviços essenciais: os CEIs (Centros de Educação Infantil) e o Hospital Infantil são exemplos de como a terceirização via OS gera instabilidade, rotatividade de profissionais e queda na qualidade do serviço.
Agora, corremos o risco de ver o mesmo modelo ser aplicado ao Hospital Municipal São José, caso a proposta de estadualização avance. Sob o discurso de “modernização” ou “racionalização de gastos”, o que se esconde é a transferência da gestão para uma Organização Social — as mesmas que já demonstraram incapacidade de garantir direitos trabalhistas e atendimento de qualidade.
A greve no Hospital São Paulo é um alerta para os joinvilenses. Mostra que o modelo de OS aprofunda a precarização, desvia recursos públicos para o lucro de entidades privadas e ignora as necessidades tanto dos trabalhadores quanto da população.
Todo o dinheiro necessário deve ir para a saúde;
Abertura de concursos e construção de novos hospitais já;
Abaixo as terceirizações e privatizações;
Reestatização de tudo que foi passado para a iniciativa privada.
