CAPS III: trabalhadores denunciam precarização e cobram providências da Prefeitura
O CAPS III Dê-lírios, serviço fundamental da rede de atenção psicossocial do município, voltou a expor uma realidade que já não pode mais ser ignorada: a *precarização das condições de trabalho e a falta de respostas efetivas por parte da administração municipal.
Responsável pelo atendimento 24 horas de pessoas com sofrimento psíquico intenso, o CAPS III atua como retaguarda da saúde mental da cidade, garantindo acolhimento, hospitalidade noturna e suporte à rede de atenção psicossocial. Mesmo com essa centralidade, o serviço opera hoje sob pressão constante sobre os trabalhadores, com impacto direto tanto na saúde das equipes quanto na qualidade do atendimento oferecido à população.
Profissionais relatam sobrecarga permanente, escalas incompatíveis com a complexidade do serviço, déficit de estrutura física e carência de equipamentos essenciais para o trabalho cotidiano. Soma-se a isso um ambiente laboral marcado por práticas de assédio moral, que intensificam o adoecimento e fragilizam ainda mais o funcionamento da unidade.
Diante desse cenário, os trabalhadores decidiram tornar pública sua insatisfação e cobrar providências do Executivo municipal, apresentando uma Carta Aberta ao prefeito de Joinville. A iniciativa surge após sucessivas tentativas de diálogo sem retorno concreto e evidencia o esgotamento das equipes frente à falta de encaminhamentos efetivos. A carta completa pode ser conferida ao final do texto.
O alerta feito pelos profissionais é claro: não há política pública de saúde mental efetiva sem trabalhadores valorizados e protegidos. A precarização das condições de trabalho compromete não apenas quem atua no serviço, mas toda a rede de atenção psicossocial, sobrecarregando outros pontos de cuidado e ampliando situações de crise que poderiam ser evitadas.
O sindicato acompanha de perto a situação do CAPS III e, inclusive, já apresentou ao Executivo propostas concretas para uma escala de trabalho mais adequada. Apoiamos integralmente a mobilização dos trabalhadores e reforçamos que a defesa da saúde mental passa, necessariamente, pela garantia de condições dignas de trabalho, equipes completas e ambientes livres de violência institucional.
Esse debate precisa ser coletivo. Por isso, o sindicato convoca todos os servidores e servidoras a participarem da Assembleia geral da categoria no dia 11 de fevereiro, às 19h, espaço fundamental para discutir a situação da saúde mental no município, fortalecer a organização da categoria e definir os próximos passos da luta em defesa do serviço público e dos direitos dos trabalhadores.

CARTA ABERTA DOS PROFISSIONAIS DO CAPS III DÊ-LÍRIOS AO PREFEITO DE JOINVILLE, SR. ADRIANO BORNSCHEIN SILVA
Ao Sr. Prefeito Adriano Bornschein Silva
Prefeito de Joinville
Prezado Sr. Prefeito,
O CAPS III Dê-Lírios é um serviço de alta relevância estratégica para o município, sendo o principal dispositivo de cuidado intensivo e comunitário para pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Sua importância reside na capacidade de oferecer acompanhamento contínuo por meio do funcionamento em regime de 24 horas, assegurando hospitalidade noturna e suporte técnico ininterrupto, inclusive aos finais de semana. Este formato permite que a unidade atue como retaguarda clínica de alta resolutividade, concentrando o período noturno e os plantões de fim de semana no monitoramento dos leitos de hospitalidade e no suporte remoto tanto aos seus usuários próprios quanto àqueles vinculados às demais unidades (CAPS IJ, CAPS II e CAPS AD) do município, garantindo a sustentação terapêutica e a segurança clínica da população assistida.
Embora o CAPS III seja uma unidade fundamental para a política pública de saúde mental na cidade, o serviço vem operando sob condições que comprometem gravemente tanto o atendimento à população quanto a saúde dos trabalhadores. Escalas de trabalho inadequadas, práticas de assédio moral, sobrecarga permanente, ausência de estrutura física compatível e falta de equipamentos revelam um cenário de sucateamento incompatível com a importância do serviço que ali é prestado.
O serviço público de saúde mental é um direito da população, conquistado por meio de luta social e da Reforma Psiquiátrica, e não pode ser tratado como política secundária ou submetido à lógica do improviso. A negligência com o CAPS III impacta diretamente usuários, familiares e toda a rede de atenção, ampliando sofrimentos que poderiam ser evitados com uma gestão responsável por parte do Executivo.
Apesar das reiteradas solicitações e do envio de propostas concretas ao Executivo, até o momento não houve resposta efetiva nem providências capazes de enfrentar os problemas estruturais do serviço. A ausência de diálogo e de encaminhamentos práticos demonstra desrespeito aos trabalhadores e à população que depende do CAPS III como referência de cuidado em saúde mental.
Prefeito, ressaltamos que os trabalhadores do CAPS III, juntamente com suas entidades representativas, seguem cumprindo diariamente o papel ético e técnico de defesa de uma política pública essencial, mesmo diante da precarização das condições de trabalho e do adoecimento ocupacional progressivo. Cabe à administração municipal garantir condições dignas de funcionamento do serviço, assegurar equipes completas e dimensionadas adequadamente, além de promover um ambiente laboral seguro, saudável e livre de práticas de violência institucional.
Diante disso, exigimos:
- A adequação imediata das escalas de trabalho dos profissionais do CAPS III, conforme proposta já encaminhada pelo sindicato ao Executivo;
- A definição de prazo concreto para a abertura da unidade CAPS AD III;
- A garantia de estrutura física adequada e fornecimento de equipamentos compatíveis com as necessidades do serviço.
- O fim imediato de quaisquer práticas de assédio moral no ambiente de trabalho, com adoção de medidas efetivas de prevenção, apuração e responsabilização, assegurando condições de trabalho dignas, respeitosas e livres de violência institucional
Sr. Prefeito, aguardamos uma pronta devolutiva que demonstre compromisso real com a política de saúde mental da cidade. Apenas com a valorização dos trabalhadores pode ser garantido o direito da população de Joinville a um atendimento digno e humanizado.
Atenciosamente,
(Assinam este documento os profissionais da unidade).

A CRISE NA SAÚDE PÚBLICA EM JOINVILE NÃO TEM FIM!!!
Infelizmente mais uma situação de descaso do poder público em relação aos profissionais da área da saúde!
Em ano eleitoral, o poder público está preocupado em mostrar muitas vezes sómente uma maquiagem da realidade,onde o feio deve ser escondido e o bonito deve ser mostrado!
A midia corporativa, associada com as elites, através de seus veículos de comunicação,muitas vezes preocupadas no sensacionalismo e na difamação de parte da classe política esconde muitas vezes a realidade dura da população e dos profissionais mal-remunerados na área do serviço público que lutam em prol da vida!
Devemos lembrar o projeto neoliberal que existe: 1)PRECARIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO;2)TERCEIRIZAÇÕES;3)E FINALMENTE O OBJETIVO FINAL,A PRIVATIZAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO.