Servidores deflagram estado de greve após sucessivas negativas do prefeito Adriano Silva.

Em uma assembleia histórica realizada na noite desta quarta-feira, 11 de fevereiro, na sede do Sinsej, a categoria lotou os dois andares do sindicato e aprovou, por unanimidade, estado de greve. A decisão é uma resposta direta ao frequente descaso do prefeito Adriano Silva (Novo), que empurrou os trabalhadores para o enfrentamento ao não apresentar nenhuma proposta dois meses depois de ter recebido a pauta da Campanha Salarial de 2026.

A presidente do Sinsej, Mara Tavares, recepcionou os servidores com uma mensagem clara: a enorme adesão à assembleia é um recado ao prefeito. “Este prefeito nos empurrou para a luta. Saímos de casa numa noite de quarta porque fomos chamados e respondemos à altura. A categoria está unida e disposta a defender seus direitos”, afirmou, agradecendo a presença de todos.

Conjuntura, eleições e uso da máquina pública
A diretora Bruna Machado dos Reis apresentou um panorama da conjuntura internacional, nacional e local, situando os desafios da classe trabalhadora no contexto do capitalismo. Ela também fez um relato detalhado dos roteiros realizados pela direção do sindicato nos locais de trabalho e abordou as dúvidas frequentes da categoria. Em sua fala, Bruna denunciou as mentiras do prefeito Adriano Silva, que agora se apresenta como pré-candidato a vice-governador junto a Jorginho Mello (PL). “Ele que disse que não recebia verba pública para fazer campanha e aprovou, ano passado, e todos nós aqui combatemos, um aumento do uso do nosso dinheiro em 100 milhões ao ano para cargos comissionados que agora é o exército de cabos eleitorais que vai trabalhar, ganhando dinheiro público, para eleger ele a vice-governador.”, criticou.

Campanha Salarial e reunião de última hora
Mara Tavares retomou a palavra para explicar os detalhes da Campanha Salarial. Diante da não abertura da mesa de negociação pelo prefeito, visitas aos locais de trabalho foram feitas com objetivo de construir uma paralisação. No entanto, na véspera da assembleia, 10 de fevereiro, a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) protocolou um convite para uma reunião no dia 20 de fevereiro — cinco dias antes da data prevista para a paralisação. Mais uma manobra que tenta minar a organização dos trabalhadores. Adriano Silva quer transferir todos os problemas para a vice, Rejane Gambin, enquanto ele tenta preservar sua imagem na corrida eleitoral ao lado de Jorginho Mello.

ADI, CVJ os 100 milhões dos comissionados
O diretor Maciel Fernando Frigotto trouxe um informe sobre os auxiliares de educação, ADIs e a Lei 15.326, que prevê a incorporação desses trabalhadores à carreira do Magistério. Ele denunciou a postura da Câmara de Vereadores, que mais uma vez atuou contra os servidores. “Tive o desprazer de ouvir vereadores dizerem que ‘nós não entendemos a lei’, para se eximir do debate. Enquanto isso, o prefeito gasta 100 milhões de reais por ano para criar e manter cargos comissionados, mesmo após as restrições do Ministério Público. Onerar os cofres públicos, para eles, só é problema quando o dinheiro é para o servidor de carreira”, afirmou.

Estado de greve e próximos passos
Diante do acúmulo de negativas, manobras e do descaso reiterado do prefeito Adriano Silva, os servidores presentes na assembleia decidiram, por unanimidade, deflagrar estado de greve. Duas propostas estavam em votação, inclusive com possibilidades de paralisação já no dia 23/2, o que mostra a disposição de luta da categoria.

No final, uma assembleia ficou marcada para o dia 23 de fevereiro, às 19 horas, na sede do Sinsej, para avaliar os desdobramentos da reunião do dia 20 e deliberar sobre a paralisação prevista para 27 de fevereiro.

Moção de repúdio
Durante a assembleia, a categoria aprovou ainda uma moção de repúdio ao presidente dos Correios e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em razão da grave situação enfrentada pelos trabalhadores da estatal e pelo sucateamento do serviço público postal no país. Todo apoio do Sinsej a esses trabalhadores!

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