O que aconteceu no Hospital Marieta é um alerta para Joinville
Na última sexta-feira (11), o Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, ficou cerca de quatro horas sem energia elétrica justamente no prédio novo do Complexo Madre Teresa. Pacientes de UTI, gestantes em trabalho de parto e o Centro Obstétrico precisaram ser remanejados às pressas. Mais de dez ambulâncias do SAMU foram mobilizadas para socorrer a operação, uma criança da UTI neonatal teve que ser transferida para Florianópolis e cirurgias e atendimentos eletivos foram suspensos.
Isso não aconteceu em uma estrutura velha e sucateada. Aconteceu na ala mais nova do maior hospital público de Santa Catarina, entregue com festa por Jorginho Mello, que fez questão de posar para fotos exaltando a obra de mais de R$ 134 milhões em investimento.
O Marieta é administrado por uma entidade do terceiro setor chamada Pequenas Missionárias de Maria Imaculada (IPMMI). Na prática, é o mesmo desenho que sustenta o modelo das Organizações Sociais da Saúde (OSS) espalhadas pelo país: o poder público banca a obra, os equipamentos e boa parte do custeio, mas repassa a operação do dia a dia a um terceiro, sem o mesmo nível de controle, transparência e responsabilização que existe na gestão pública direta. O resultado, mais uma vez, foi visto na prática: um hospital lotado de respiradores, monitores e pacientes em estado grave ficou refém de uma falha que deveria ter sido blindada em um hospital desse porte, mas não foi.
É exatamente esse modelo que querem empurrar para o Hospital Municipal São José, de Joinville. A estadualização do São José não é, isoladamente, o problema: o problema é que ela está atrelada ao repasse da gestão a uma OSS. Ou seja, o hospital deixa de ser público em sua operação para ser público apenas no nome e no financiamento — igual ao Marieta. E o caso de Itajaí mostra, de forma concreta e recente, o que esse tipo de arranjo pode custar em situações de emergência: não é papel, é vida de paciente internado, de gestante em trabalho de parto, de criança em UTI neonatal.
Há meses o Sinsej vem pedindo formalmente o documento de intenção de estadualização do Hospital Municipal São José, justamente para mostrar aos servidores e à população o que está sendo planejado para a unidade. E há meses esse pedido é ignorado pelo governo Novo, que hoje ocupa a mesma chapa de Jorginho Mello. Ora, se a intenção é apenas melhorar o atendimento, por que esconder o projeto dos trabalhadores e da população que utiliza o hospital?
O Sinsej reafirma: lutar contra a estadualização atrelada à OSS não é ser contra investimento em saúde. É ser contra entregar um hospital público para uma gestão que, como mostrou o Marieta, acumula descasos.
O Sinsej seguirá no combate contra a estadualização do Hospital São José atrelada à OSS e contra a privatização dos serviços públicos. Para isso, criou uma campanha permanente, junto ao sindicato parceiro Sintraej, chamada “Não venda nossa cidade”. Assine o abaixo-assinado aqui e participe dessa luta!
