Câmara aprova mais um repasse do Hospital São José ao Bethesda, enquanto rede pública amarga precarização.
A Câmara de Vereadores de Joinville aprovou o projeto que autoriza um convênio entre o Hospital Municipal São José (HMSJ) e o Hospital Bethesda para ampliar procedimentos de alta complexidade pelo SUS. O acordo prevê repasse anual de R$ 1.898.403,60 do hospital público ao hospital privado, para a realização mensal de 35 exames de CPRE e 15 procedimentos de colocação de prótese.
Segundo a justificativa do projeto, o HMSJ vinha enfrentando dificuldades para manter esses exames desde o fim do contrato anterior, em fevereiro deste ano, e possui apenas um duodenoscópio próprio, equipamento antigo que passa por manutenções frequentes e trava a fila de atendimento.
A pergunta é simples: por que, mais uma vez, a saída é transferir dinheiro público para a iniciativa privada, em vez de investir na própria estrutura do São José e na abertura de concursos públicos?
O novo repasse não é fato isolado. É a continuidade de uma tendência que os números explicam de forma clara. Levantamento com base no Portal da Transparência da PMJ mostra que as despesas do município com a Instituição Bethesda saltaram de R$ 14,9 milhões em 2019 para R$ 96,3 milhões em 2025: um crescimento de 36,5% ao ano, muito acima da evolução do orçamento do próprio HMSJ. Hoje, o Bethesda responde por quase 10% de todo o Fundo Municipal de Saúde (FMS), fatia que era de apenas 2,9% em 2019.
Ou seja: enquanto o hospital público segue sem um simples duodenoscópio (equipamento estimado em 40 mil reais) e depende de parcerias emergenciais para não parar de atender pacientes do SUS, uma instituição privada consolidou-se como destino cada vez maior do dinheiro da saúde pública joinvilense. Assim fica fácil dizer que o “privado funciona”, recebendo verbas crescentes, enquanto o São José é propositalmente abandonado.
E o problema não termina aí. O próprio Hospital Municipal São José está, neste momento, em vias de ser estadualizado, um processo que a gestão municipal se recusa a explicar em detalhes, apesar dos pedidos formais do Sinsej para que o documento com a intenção de estadualização seja divulgado aos servidores e à população. Não é segredo que essa estadualização vem atrelada à entrega da gestão do hospital a uma Organização Social da Saúde (OSS), ou seja, a mais um passo da privatização.
O que o governo Novo faz em Joinville é um padrão clássico de recursos públicos crescendo ano após ano em direção ao setor privado, enquanto um hospital que deveria ser o carro-chefe da saúde pública municipal segue sucateado, sem equipamentos básicos agora sob risco de ser gerido por uma OSS.
Essa situação só mudará de uma maneira: com a organização de servidores e de todos que fazem uso do serviço público. É nas ruas, nas paralisações, na força conjunta, na participação das atividades do sindicato que os governos recuam. O Sinsej continuará nessa tarefa de mobilização, lutando pela abertura de concursos e contra as privatizações.
Assine o abaixo-assinado contra a privatização do serviço público aqui.
