Sobressaltos em menos de dois meses de governo

Por Ulrich Beathalter

O sindicato tem vivido de sobressaltos nos últimos dias. Em 30 dias de mandato, o atual governo de Joinville já conseguiu deixar os servidores municipais em polvorosa. Uma relação que começa muito mal, haja vista a expectativa que havia de manutenção das conquistas e avanço na valorização dos trabalhadores.

Ainda em janeiro, recebemos o salário parcelado. Foi imposto, mais uma vez, parcelamento de dívidas previdenciárias com o Ipreville. Depois foi o corte do ponto facultativo do Carnaval. Agora abrimos o mês de fevereiro com o aumento da jornada de trabalho na Saúde da Família.

E quando se achava que nada mais de ruim poderia acontecer, no dia do pagamento houve mais surpresas. A Prefeitura não pagou as horas extras do recesso de final de ano para a maioria dos servidores do Hospital São José. Tínhamos acordo assinado e garantido pelo governo de que todos os servidores que trabalharam durante o recesso receberiam o pagamento dessas horas extraordinárias. No dia 22 de janeiro protocolamos ofício no gabinete do Prefeito pedindo confirmação desse pagamento. Nada foi respondido. Portanto, todos contaram com esse crédito. Então, sem qualquer aviso, a Prefeitura não deposita as horas para Técnicos de Enfermagem, Enfermeiros, pessoal da manutenção e outros setores do Hospital, deixando pais e mães de família sem um dinheiro que era tido como certo.

Como se não bastasse tudo isso, ainda tivemos problemas no pagamento do salário dos professores. São inúmeros casos em que a Prefeitura não pagou as horas-atividade e o adicional por tempo de serviço. Isso representa, em média, 30% da remuneração desses servidores. A alegação da Prefeitura é meramente “falha técnica” e que até hoje esses valores estariam depositados na conta.

É muito problema em tão pouco tempo. Esperávamos uma gestão séria, cumpridora dos acordos, com uma equipe competente que não permitisse a ocorrência de tantos equívocos. Nunca antes os servidores viveram tantos sobressaltos como nesse curto período.

O governo do Prefeito Udo Döhler precisa rever sua relação com a categoria dos servidores. Somos mais de onze mil trabalhadores que colocam em prática as decisões e projetos do executivo. Somos mais de onze mil trabalhadores que, no dia a dia atendem às demandas da população em todas as áreas: saúde, educação, assistência social, obras públicas… Da qualidade de nossa vida e trabalho depende diretamente a qualidade desse atendimento à população. Cuidar do servidor é cuidar que estaremos a postos para garantir um atendimento cada vez melhor para cada cidadão joinvilense. Não estamos fazendo grandes exigências. Queremos apenas o cumprimento de acordos estabelecidos, o pagamento do nosso salário em dia e de forma integral e a garantia da manutenção da nossa jornada de trabalho. Isso inclui a manutenção dos pontos facultativos, feriados e recessos. Não há grandes benesses em ser servidor público. Não nos tirem o pouco que temos, sob o risco de inviabilizar o próprio serviço público, ao ponto em que ninguém mais deseje ingressar nas nossas fileiras.

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