Evitar as demissões é preciso, a hipocrisia também

Na coluna da Associação Empresarial de Joinville (Acij) de ontem (11/5), no Jornal A Notícia, os representantes dos patrões da cidade dizem que estão acompanhando as negociações salariais deste ano com preocupação. Nós também.

Eles dizem que os custos industriais aumentaram, que no ano passado a indústria perdeu fôlego e que em 2015 a situação permanece a mesma. Afirmam que aumentos de preço não serão assimilados pelo mercado e que algumas empresas já demitem seus funcionários. Assim, concluem que é mais importante aos trabalhadores garantir empregos do que discutir aumentos salariais. Nós não concordamos, porque queremos as duas coisas.

O pedido de paciência feito pelos empresários vem sem garantias. Ou há alguém na cidade negociando estabilidade de empregos? No discurso da Acij só há uma opção, jogar a culpa da crise financeira internacional nas costas dos trabalhadores, seja no preço final dos produtos ou com arrocho salarial e demissões. Por que a associação não propõe que estes prejuízos sejam descontados do lucro dos empresários?

As crises são consequência natural do sistema capitalista, defendido por estes mesmos senhores. Durante os períodos de desenvolvimento econômico, eles ganharam muito dinheiro. Agora que as vacas ficaram magras, eles continuam acumulando cifras, pois a conta é repassada aos trabalhadores.

Este é um processo que ocorre no Brasil e no Mundo, não é difícil de constatar. Em 6 de maio último a Folha de S. Paulo anunciou: “Maior banco privado brasileiro, o Itaú lucrou R$ 5,733 bilhões no trimestre – 26,8% mais do que no mesmo período de 2014. Bradesco e Santander tiveram ganho de R$ 4,244 bilhões e de R$ 684 milhões, respectivamente, resultados 23,3% e 32% superiores ao registrado no mesmo período de 2014”. Tudo isso apesar da retração da economia.

Isso é explicado devido à galopante concentração de renda. No Brasil, os 0,9% mais ricos detêm entre 59,90% e 68,49% da riqueza, segundo o economista Róber Iturriet Avila, em artigo publicado no portal Brasil Debate em meados de dezembro.

Em Joinville, a situação não é diferente. Os mesmos argumentos de dificuldade financeira usados pelo setor privado têm sido apresentados pelo prefeito empresário Udo Döhler (PMDB) nas mesas de negociação. Se há algo que não convencerá o Sinsej e sua categoria são as repetidas frases de “não há recursos”, “não podemos”, “estamos no limite”, “ a cidade vai sofrer”. No que depender de nós, não serão os trabalhadores a pagar esta conta.

Ao mesmo tempo, não podemos concordar com sindicatos que corroboram com a posição dos patrões. Não há espaço no movimento sindical para o peleguismo e a traição aos trabalhadores.

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