Nota do Sinsej sobre declarações de Carlito Merss

O ex-prefeito Carlito Merss foi à imprensa na última semana conceder uma série de entrevistas. Em algumas delas, ele faltou com a verdade sobre episódios da organização sindical dos servidores de Joinville. Para o Sinsej, não é possível reescrever a história e a verdade deve ser restabelecida.

Na sexta-feira (14/3), Merss afirmou ao radialista Rogemar Santos, no programa Show da Manhã, da rádio Clube AM, que no ano passado o atual prefeito não deu nem mesmo a inflação aos trabalhadores da Prefeitura e “não houve movimento”, estaria tudo “em silêncio”.

No domingo (16/4), na TV Brasil Esperança, ele repetiu a mesma desinformação ao apresentador Léo Saballa. De acordo o ex-prefeito, houve uma “greve violenta” em 2011 porque naquele ano a Lei de Responsabilidade Fiscal poderia “estourar”. Além disso, afirmou que os servidores passaram “45 dias acampados na frente da Prefeitura” (sic). “Parece que o mundo tinha acabado”.

Em ambas as entrevistas, Merss afirma ainda que só precisou parcelar o reajuste uma vez. Também relata que fez “dezenas de reuniões mostrando os números” aos servidores na greve de 2011.

A verdade deve ser restabelecida

Em 2009, primeiro ano do governo de Carlito Merss, os servidores ganharam 6% de reajuste na data-base, sendo que a inflação acumulada era de 5,45%.

Em 2010, Carlito aumentou o salário da categoria em 5,49%, exato valor da inflação, parcelado em três vezes e bem depois da data-base. Este resultado só foi obtido após uma greve de seis dias.

A campanha salarial de 2011 começou com a cobrança de vários acordos da paralisação anterior e com o anúncio de que naquele ano não haveria reajuste. Na época, o prefeito prometia um aumento de 8% apenas para janeiro de 2012. Ao contrário do que Merss afirma, o comprometimento da receita do município com a folha de pagamento do funcionalismo encontrava-se em 48%. Este índice estava abaixo do nível prudencial indicado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é 51,3%. Nesse ano, após 40 dias de greve, conquistou-se a antecipação de duas parcelas dos 8% de aumento. Ao fim, o reajuste anual foi novamente dividido em três vezes e a data-base não foi respeitada.

Sobre as “dezenas de reuniões” realizadas, o sindicato relembra que a Pauta de Reivindicações de 2011 foi protocolada em 1º de março, que a greve começou em 9 de maio e que a primeira reunião a qual Merss compareceu foi em 18 de maio. No encontro, solicitado e intermediado pelo Ministério Público de Santa Catarina, o ex-prefeito não dirigiu a palavra aos sindicalistas nem uma vez.

Apenas após a realização de dezenas de atos, intermediação dos poderes Judiciário e Legislativo, do MP, de diversas entidades sindicais, movimentos populares e até mesmo da Igreja, Merss concordou em reunir-se com o sindicato, no 26º dia de paralisação. Ainda assim, nessa oportunidade, a resposta da Prefeitura aos servidores não foi satisfatória. As poucas mesas de negociação que se sucederam, não contaram com a presença do prefeito, mas do então chefe de gabinete, Eduardo Dalbosco. Os servidores chegaram a dormir em barracas em frente à Prefeitura, mas como a greve encerrou-se no 40º dia, não há lógica na informação de que eles passaram “45 dias acampados”.

Em 2012, mesmo com diversos acordos de greve novamente não cumpridos, não houve paralisação. Nesse ano, a Prefeitura concedeu 8,5% sem parcelamentos, valor acima da inflação.

“Silêncio” no governo Udo

Já em 2013, primeiro ano de mandato do governo de Udo Döhler, houve uma greve de 12 dias, de 12 a 24 de maio. Isso porque o atual prefeito propôs apenas 4% de reajuste em um ano cuja inflação acumulada era de 7,16%. No final da greve, os servidores conquistaram 7,25% divididos em três vezes e um abono para compensar a perda com o parcelamento.  No mesmo ano, em 19 de novembro, houve mais um dia de paralisação para cobrar o cumprimento dos acordos.

Assim como Merss, Döhler promoveu muitos ataques à categoria já no seu primeiro ano de mandato. Os servidores reagiram em defesa dos seus direitos e 2013 foi o ano do maior número de paralisações que a Prefeitura de Joinville já viu. Cruzaram os braços trabalhadores da Fábrica de Tubos, dos postos de saúde do Estevão de Matos e do Jardim Edilene, do Ittran, do Hospital Municipal São José e do programa de Tuberculose da Unidade Sanitária.

Independente do governo vigente, o Sinsej estará ao lado dos servidores municipais de Joinville, Garuva e Itapoá. A direção do sindicato acredita que um serviço público melhor só pode ser construído com honestidade, comprometimento e valorização dos trabalhadores.

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