Quem é responsável pela superlotação no São José?

Por João Batista Verardo*

Servidores do Pronto Socorro fizeram diversas manifestações contra a superlotação I Foto: Francine Hellmann
Servidores do PS fizeram manifestações contra a superlotação I Foto: Francine Hellmann

Este problema não é de hoje, nem começou com a atual administração. Em agosto de 2004, começaram as obras do Complexo Emergencial Ulisses Guimarães. Na época, já não havia espaço suficiente para suprir a demanda. Passados dez anos, este prédio ainda não está funcionando a todo o vapor. Do projeto inicial, outros serviços previstos ainda não saíram do papel, como um novo centro cirúrgico, 30 leitos de UTI e uma ala de queimados.

Desde então, a cidade cresceu e, junto com ela, a demanda no HMSJ. Hoje, o complexo funciona com mais ou menos 40% de sua capacidade. Como isso não é suficiente, os pacientes são submetidos ao atendimento nos corredores ou em salas minúsculas, há um único chuveiro para todos e, o que é pior, não há uma sala privativa para dar banho nos pacientes que não conseguem fazer sua própria higiene. Isso tudo sem contar com a falta de aparelhos para realizar alguns exames emergenciais, como o eletrocardiograma. Dizem que o São José é referência em traumatologia e AVC na região, mas a falta de planejamento sobrecarrega toda a equipe de trabalho do Pronto Socorro.

Após ser atendido por um médico no PS, o paciente poderá ser internado. Se isso acontecer, ficará aguardando um leito e será um milagre se conseguir no mesmo dia. Normalmente, ele continua no corredor esperando cirurgia ou exames, o que pode demorar semanas. Com isso, os pacientes ficam estressados e a equipe sobrecarregada.

As obras do complexo começaram há dez anos com o discurso de resolução dos problemas da saúde pública da região. Porém, desde então a mesma obra foi usada por várias administrações para eleger políticos e esquecida logo após as eleições. Enquanto isso, a comunidade espera pacientemente pelo o fim das filas e das internações nos corredores.

Há poucos dias havia 102 pacientes internados no PS. Destes, 37 estavam acomodados nos leitos e 65 ocupavam os corredores em macas sem grade de proteção e colchão (maca rígida), em poltronas, em macas dos bombeiros ou em cadeiras de rodas.

Trabalhar num ambiente desses é uma batalha diária, é como “matar um leão por dia”. Os servidores precisam estar bem preparados tecnicamente e mentalmente para prestar um bom atendimento e, como estão assumindo pacientes demais, eles têm medo de cometer erros. Cada um dos técnicos chega a atender uma média de 13 pacientes, quando o ideal seria seis.

Ações precisam ser tomadas com transparência e seriedade, não há alternativa. É uma questão pública, de respeito ao cidadão. Não podemos continuar convivendo com a situação de achar que acomodar pacientes em qualquer canto é normal. Isso não é normal!

Não existe uma fórmula mágica, existe vontade política de ampliar definitivamente a estrutura, os leitos e o número de servidores. Os exames precisam de mais agilidade, o centro cirúrgico tem que ser ampliado. Além disso, é preciso investir na saúde básica. Enquanto ela não funcionar, o HMSJ continuará sofrendo os efeitos.

Nós, trabalhadores, temos cobrado da Prefeitura. Para além de nosso direito a melhores condições de trabalho, nos preocupamos com a qualidade dos serviços prestados à população.

* João Batista é diretor do Sinsej e lotado no Hospital Municipal São José

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