Greve, protestos e ocupações em defesa do serviço público no Rio de Janeiro

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Servidores e estudantes protestaram em frente à Alerj

Trinta e três categorias de servidores estaduais do Rio de Janeiro estão em greve geral. São mais de 500 mil trabalhadores que estão sem receber o salário do governo. Dentre eles profissionais da educação, saúde, policia civil, Detran e Judiciário. Além do pagamento dos salários, eles reivindicam reajuste, melhores condições de trabalho e as pautas particulares de cada categoria. Em 7 de abril, dia em que começou a greve, cerca de 8 mil pessoas se reuniram no Lardo do Machado e partiram até o Palácio Guanabara em protesto.

Os servidores estaduais da educação do Rio de Janeiro estão paralisados há mais tempo, desde o dia 2 de março. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), além do reajuste salarial e melhores condições de trabalho, eles também estão na luta pelo impedimento do ajuste fiscal planejado pelo governo estadual. A categoria estava em estado de greve desde dezembro do ano passado, quando o governador Luiz Fernando Pezão dividiu em cinco vezes a segunda parcela do 13º. Assim como as demais categorias, eles sofrem com o atraso dos salários. Desde que Pezão assumiu, adiou a data do pagamento dos servidores do segundo para o sétimo e agora para o décimo dia útil de cada mês.

Ajuste fiscal

O ajuste fiscal do governo inclui uma reforma da previdência que aumenta a contribuição dos servidores de 11% para 14%. Devido a isso, no dia 30 de março, cerca de 3 mil trabalhadores de todos os setores do estado protestaram em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Eles foram recebidos com gás de pimenta pelos seguranças do Palácio Tiradentes.

Os servidores afirmam que não pagarão pera crise econômica gerada pelos privilégios concedidos a empresários, com as numerosas isenções fiscais. De 2008 a 2013, o governo abdicou cerca de R$ 138 bilhões com essas isenções, dinheiro suficiente para o pagamento dos salários de todo funcionalismo público estadual por cinco anos. A folha de pagamento do Estado é de cerca de R$ 1,5 bilhão para 468,5 mil servidores (220,3 mil ativos, 153,4 mil inativos e 94,8 mil pensionistas).

Escolas ocupadas

Paralelo a isso, cresce o movimento dos estudantes em apoio à greve da educação. Até agora já foram registradas 30 unidades ocupadas no estado do Rio. Os secundaristas, além de organizarem a limpeza e gerenciamento dos colégios, estão realizando atividades culturais e políticas. Como no caso da Escola Estadual Prefeito Mendes de Moraes, uma das primeiras a ser ocupada, que já fez palestras sobre o Pré-sal, movimento estudantil do Chile, entre outras.

Fortalecer a resistência

O Sinsej apoia o movimento e enfatiza que é preciso que os trabalhadores e a juventude continuem firmes na luta contra o ajuste fiscal, bem como qualquer retirada de direitos. A maior corrupção do país é o pagamento da dívida pública interna e externa, que aumenta todos os anos de forma monstruosa e está sendo depositado fielmente aos banqueiros e empresários. Em 2015 cerca de 42% do orçamento da união foi destinado só ao pagamento da dívida. Enquanto isso, a classe trabalhadora sofre com os cortes e a precarização dos serviços públicos.

Texto atualizado em 12/4, às 16h45.

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