Todo apoio aos dirigentes sindicais do Sintrasem

Ontem, o magistério entrou em peso no movimento I Foto: Aline Seitenfus
Ontem, o magistério entrou em peso no movimento I Foto: Aline Seitenfus

Diante de greve, Prefeitura pede prisão de sindicalistas

Nesta quarta-feira (8/2), os servidores municipais de Florianópolis entram no 23º dia de greve. Eles pedem a reversão do pacotão de medidas que retira direitos da categoria, apresentado pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB) e aprovado pela Câmara de Vereadores.

Mesmo depois de a greve ter sido declarada ilegal – num flagrante ataque a este direito constitucional dos trabalhadores – cerca de 85% da categoria continua paralisada, tendo em vista os gravíssimos prejuízos que sofrerão caso o movimento seja derrotado. Ontem, na maior assembleia já realizada pelos servidores da Capital, cerca de 9 mil trabalhadores decidiram por unanimidade continuar paralisados. Logo após, eles fizeram uma passeata história pela pelas avenidas Mauro Ramos e Beira-Mar Norte. A categoria é formada por aproximadamente 10 mil servidores.

Em reação ao movimento, a Prefeitura pediu a prisão dos diretores do sindicato, a destituição da diretoria e intervenção judicial na entidade. Esta é mais uma prova da truculência deste governo, que em 24 de fevereiro – dia da votação dos projetos – já havia mandado polícia militar e guarda municipal baterem, atirarem com balas de borracha e usarem spray de pimenta em milhares de pais e mães de família.

No dia da votação dos projetos, servidores foram violentamente agredidos I Foto: Sintrasem
No dia da votação dos projetos, servidores foram violentamente agredidos I Foto: Sintrasem

O Sinsej expressa seu repúdio a mais este ataque contra as liberdades democráticas de organização, expressão e ao direito de greve. Todos os servidores de Joinville, Garuva e Itapoá estão chamados a replicar este protesto em suas redes sociais.

O que ocorre hoje em Florianópolis é uma experiência dos governos e da classe dominante, que buscam responsabilizar os servidores pela crise e destruir os serviços públicos. O mesmo ocorre em escala nacional, onde quem governa é Michel Temer, do mesmo partido de Gean Loureiro, do prefeito de Joinville, Udo Döhler, e do de Garuva, Rodrigo David.

Relembre os motivos da greve:

No dia 24 de janeiro, em regime especial de tramitação, os vereadores da cidade votaram pelo fim do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) do Civil e por cortes no PCCV do Magistério. Também votaram pela fusão dos dois fundos previdenciários e por mais um parcelamento da dívida da Prefeitura com a Previdência dos servidores. Entre os principais cortes estão:

– Fim da incorporação das gratificações à aposentadoria.

– Redução do adicional noturno de 50% para 25%.

– Redução do adicional de horas extras – de 100% em dias úteis e 200% em dias não úteis passa para 50% em todos os casos.

– Fim da antecipação do décimo terceiro salário.

– Transformação da gratificação de “exercício de atividades especiais” em uma previsão aberta, sem critérios.

– Redução da licença por motivo de doença na família.

– Permissão à administração para interromper, conforme lhe aprouver, a licença sem vencimentos.

– Extinção do adicional por tempo de serviço – anuênio e triênio.

– Redução das férias dos Auxiliares de Sala – de 65 dias, como os professores, para 30,  como o quadro civil.

Tais direitos foram conquistados ao longo de mais de 30 anos de organização desta categoria. O PCCV Civil, por exemplo, demorou 20 anos para ser finalmente aprovado. Esse ataque por parte do prefeito representa um grande retrocesso para a classe trabalhadora e o serviço público, não só de Florianópolis, mas de todo o país.

Servidores e serviço público estão sendo responsabilizados pela crise financeira I Foto: Aline Seitenfus
Servidores e serviço público estão sendo responsabilizados pela crise financeira I Foto: Aline Seitenfus

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