Prefeitura aumenta dívida com Ipreville em mais R$ 33 milhões

Apesar do protesto dos servidores, os conselheiros indicados pelo governo foram favoráveis ao décimo parcelamento patronal no Ipreville
Apesar do protesto dos servidores, os conselheiros indicados pelo governo foram favoráveis ao décimo parcelamento patronal no Ipreville

O Conselho Administrativo do Ipreville aprovou ontem – com o voto contrário dos representantes da categoria – mais um parcelamento da cota previdenciária patronal da Prefeitura. Essa é a décima vez que Udo Döhler deixa atrasar sua parte da previdência e, ao fim do semestre, pede que a dívida seja dividida. Desde que a atual gestão assumiu a administração de Joinville, em 2013, a obrigação do governo com a aposentadoria dos trabalhadores nunca foi paga em dia.

Desta vez, os meses atrasados são janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho de 2018, o que totaliza uma dívida de R$ 33.203.532,46. Com a aprovação do Conselho, esse montante será parcelado em 60 meses.

Atualmente já há mais de R$ 200 milhões parcelados em cotas previdenciárias patronais, mais de R$ 740 milhões de déficit atuarial e mais de R$ 380 mil de parcelamentos de imóveis, o que totaliza uma dívida de quase R$ 1 bilhão da Prefeitura com o Ipreville. A soma de todas essas parcelas chega a aproximadamente R$ 7,8 milhões mensais*. Nesse valor, estão inseridos juros, que poderiam estar sendo investidos no atendimento à comunidade.

Essa irresponsabilidade do governo Udo com a aposentadoria dos servidores está se tornando insustentável. No final de 2017, a Prefeitura já apresentou dificuldades em honrar até mesmo os parcelamentos. Se essa prática continuar, em pouco tempo o município enfrentará ainda mais dificuldades para pagar o Ipreville e o instituto sofrerá graves consequências. O que está em jogo é o futuro de todos os servidores.

Na reunião do Conselho de ontem, o representante do Sinsej, Antônio Mafra, questionou se a Prefeitura tem alguma previsão de quando os pedidos de parcelamento irão parar. O secretário da Fazenda, Flávio Martins Alves, respondeu que, no melhor cenário, em 2020 – ou seja, quando acabar o mandato de Udo Döhler.

O sindicato considera essa postura inadmissível e tem convocado os servidores a se levantarem. Apenas o voto dos representantes da categoria no Conselho não tem sido suficiente para barrar os parcelamentos. Apenas quando a indignação se converter em uma grande mobilização os trabalhadores conseguirão obrigar a Prefeitura a pagar em dia o instituto.

* Todos os dados informados nesse texto podem ser conferidos nos demonstrativos contábeis do Ipreville, que são públicos e estão disponíveis aqui.

 

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