Falta de luz, água e assedio moral. O processo de desmonte da UPA Sul.

A tarde de sexta-feira (24) foi de escuridão para os funcionários e pacientes do UPA Sul em Joinville. Devido a uma troca do gerador de energia, a unidade ficou sem luz por mais de quatro horas. Embora a mudança já estivesse agendada com antecedência, os trabalhadores do local e a população só foram avisados no dia da substituição. A ação é só mais uma que se junta a longa lista de problemas que vem atingindo a unidade recentemente.

“Para nós essa situação é muito ruim. É um risco para todos. Temos que usar a lanterna do celular para achar as veias dos pacientes”, explicou uma funcionária. Infelizmente, situações como essa são rotina na unidade. Há algumas semanas a UPA Sul ficou sem água, o que comprometeu a higienização dos atendimentos. “Trabalhamos sem água, sem ter onde fazer as nossas necessidades básicas e sem ter onde lavar as mãos. Os próprios funcionários fizeram uma vaquinha para comprar água na farmácia. Tiramos do nosso bolso”, afirmou outro trabalhador.

Além da falta de luz e água, os servidores da unidade sofrem com o assédio moral. Com medo de represálias, nenhum dos funcionários quis se identificar. “Te esgotam psicologicamente e fazem terrorismo com a gente. Temos vários problemas aqui, mas se nós falamos alguma coisa para alguém, pode ser que amanhã nós sejamos transferidos para outra unidade. Estou me sentindo um alvo”, explicou uma servidora.

Os servidores também são coagidos a não informar a comunidade qual falta algo na unidade. “Não podemos colocar um cartaz lá na frente, senão chamam a nossa atenção”, afirmaram. Isso tudo, em meio a racionamento de equipes e falta de materiais básicos, como fraldas.

Os problemas acontecem exatamente na semana que a UPA Sul entra na mira das Organizações Sociais (O.S.), que são entidades que administram unidades de saúde de forma terceirizada. É de conhecimento público que a terceirização é um desejo do prefeito Adriano Silva (NOVO). Precarizar o atendimento e a estrutura das unidades, para depois entregá-las a iniciativa privada com a desculpa de que a terceirização vai resolver todos os problemas é uma estratégia antiga e conhecida. É o que a prefeitura está fazendo com a UPA Sul. Recentemente, oito entidades já foram credenciadas pelo governo municipal para concorrer a administração do local.

A saúde de Joinville precisa de investimentos e não de terceirização. O concurso público, a valorização dos servidores e a melhora da estrutura são as ações que vão impactar de forma significativa na qualidade da saúde da cidade. O Sinsej estará na luta contra as terceirizações da saúde e a favor do serviço público, gratuito e de qualidade.

Confira imagens da unidade

 

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