O caso do Hospital Regional é o retrato do que pode acontecer com o São José
Nesta semana, mais uma vez, a saúde pública em Joinville foi notícia. A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores precisou realizar uma diligência no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt para apurar denúncias de pacientes que tiveram cirurgias canceladas de forma repetida. Usuários do hospital relataram que as cirurgias foram canceladas mais de uma vez na mesma semana, mesmo após cumprirem jejum pré-operatório e se prepararem para o procedimento.
A própria direção da unidade admitiu o problema: falta de anestesistas. Hoje o hospital conta com apenas cinco profissionais da especialidade, quando seriam necessários pelo menos mais quatro para atender a demanda. O resultado é que médicos escalados para cirurgias eletivas são deslocados para emergências, cancelando operações já marcadas.
Este é o hospital administrado pelo Estado de Santa Catarina. E é para essa mesma estrutura estadual que querem entregar o Hospital Municipal São José.
A pergunta a ser feita é a mesma que o Sinsej já fez na audiência pública, em novembro de 2025, que tratou da intenção de estadualização do Hospital Municipal São José (HMSJ): se o Governo do Estado não consegue hoje garantir anestesistas suficientes, leitos suficientes e concursos públicos que se sustentem no hospital que já administra, por que acreditar que ele fará diferente com o HMSJ?
E o problema não é exatamente a estadualização, onde é possível angariar mais recursos financeiros para a saúde. Os problemas aparecem com os “agregados”, com as gestões. A intenção de transferência do HMSJ já vem assinada com vistas à entrega da gestão do hospital a uma Organização Social de Saúde (OSS), modelo já apontado pela Polícia Federal e Ministério Público como não recomendado devido aos vários casos de corrupção e precarização dos vínculos trabalhistas.E isso acaba se refletindo diretamente no atendimento à população.
É essa a estratégia que o Partido Novo vem sistematicamente exercendo no serviço público: primeiro se enfraquece a gestão direta, depois apresenta a terceirização como “solução”, enquanto servidores e até moradores de outras cidades são culpabilizados. Cancelar cirurgias, faltar anestesista, sobrecarregar equipe não é acidente, é o retrato do que a lógica da estadualização e da entrega à iniciativa privada produz na prática, em Joinville e em Santa Catarina inteira.
O Hospital Municipal São José tem 120 anos de história construída pelos trabalhadores da saúde e pela população joinvilense. Não pode virar mais um capítulo dessa mesma cartilha de sucateamento e privatização disfarçada de “modernização da gestão”.
O Sinsej, junto ao Sintraej, vem encampando a campanha “Contra a Privatização dos Serviços Públicos” justamente para enfrentar esta entrega descarada, prejudicial para o conjunto da população e para os servidores, do patrimônio público da cidade. Pois quando a iniciativa privada se instala nas gestões dos serviços públicos a única intenção é lucrar, enquanto os trabalhadores têm suas condições precarizadas e a população acaba pagando a conta.
Assine o abaixo-assinado neste link, participe das atividades do sindicato, das audiências e ajude nessa luta!
