Pressão do Sinsej e servidores garante audiência pública e arranca primeiro compromisso contra a terceirização do SAMU
Foi a pressão organizada do Sinsej e a mobilização direta dos trabalhadores do SAMU que garantiram, nesta segunda-feira à noite (20/7), a realização da audiência pública da Comissão de Saúde, Assistência e Previdência Social da Câmara de Vereadores de Joinville para debater a terceirização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Sem essa cobrança direta do sindicato e da categoria, o tema sequer teria chegado à Câmara, como já é praxe no governo Novo. Coube ao Sinsej e aos trabalhadores do SAMU puxar para o centro do debate público uma decisão que a Prefeitura vinha tocando nos bastidores pelo edital nº 06/2026, um pregão que prevê a contratação de empresas para locação de ambulâncias com fornecimento de motoristas.
A quem interessa entregar mais um serviço essencial para as mãos de uma empresa privada?
Representando o sindicato, o diretor do Sinsej e técnico de enfermagem Wellington Laufer, servidor há 13 anos, abriu sua fala com a pergunta que resume o espírito de toda a audiência: a quem interessa transformar em oportunidade de lucro um serviço que garante a segurança de toda a população?
Wellington lembrou que os motoristas do SAMU são, na verdade, socorristas: profissionais com 10, 15, 20 anos de experiência, que conhecem rotas, fluxos e a dinâmica do atendimento de emergência e que garantem, segundo dados da própria Secretaria de Saúde, um tempo médio de resposta em torno de dois minutos. Ele denunciou a estratégia da gestão do Partido Novo: primeiro o desmonte da estrutura pública, depois a entrega do serviço à iniciativa privada, usando os próprios servidores como bode expiatório de problemas que são de gestão, não dos trabalhadores.
O dirigente detalhou o histórico de sucateamento que pavimentou esse cenário: em 2023, a Prefeitura desmontou a frota própria do SAMU e optou pela locação de veículos com empresas privadas; como consequência direta dessa escolha, quando o governo federal renovou em 2025 as frotas de ambulâncias de 13 municípios catarinenses, Joinville ficou de fora por não ter mais frota própria. Some-se a isso a perda da sede própria da categoria, hoje substituída por espaços adaptados, sem condições dignas de descanso, alimentação ou de higienização das ambulâncias.
Diante desse quadro, o Sinsej apresentou encaminhamentos concretos à audiência: a revogação imediata do edital 06/2026 e, como resposta ao problema, a reestruturação completa do serviço, com nova sede própria, em região central, equipada com o que os próprios servidores já apontaram ser necessário, incluindo o compressor mecânico de massagem cardíaca.

Servidores denunciam precarização e desrespeito no dia a dia do SAMU
A diretora do sindicato Veneranda Alexandre, técnica de enfermagem e servidora pública há 30 anos, relatou que a mobilização em defesa dos condutores escancarou uma realidade de condições de trabalho muito precárias, da alimentação à limpeza das ambulâncias, e um alto índice de afastamentos por doença, sem que a Prefeitura contasse com equipe reserva. Tudo isso em um contexto de contenção orçamentária que impedia até mesmo o pagamento de hora extra.
Na audiência, trabalhadores do SAMU também ocuparam a tribuna para reforçar, na prática, o que o sindicato vinha denunciando. Jefferson, que já atuou como condutor socorrista e hoje é bombeiro, e Charles, condutor de ambulância, questionaram por que a Prefeitura prefere terceirizar em vez de valorizar profissionais que já são, de fato, condutores socorristas. Charles cobrou diretamente que o Executivo envie à Câmara um projeto de lei para adequar a nomenclatura dos servidores à nova legislação federal, nos mesmos moldes do que já foi feito, no passado, com os operadores de máquina do município.

Movimento do Sinsej ecoa entre entidades e parlamentares
A mobilização do sindicato encontrou eco em outras entidades presentes. O Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina, representado por Ângelo Vidal, declarou-se “determinantemente contra a terceirização dos serviços de enfermagem” por entender que esse modelo precariza vínculos e fragiliza a assistência à população. Já a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Cleia Aparecida Clemente, confirmou que o próprio Conselho já havia sido procurado pelos trabalhadores do SAMU sobre a situação da sede e que o tema será levado ao pleno na reunião do dia 27 de julho.
Também os vereadores presentes se posicionaram, um a um, ao lado da pauta erguida pelo sindicato. O vereador Tiago Ronque recuperou vinte anos de história do SAMU joinvilense e cobrou reconhecimento para uma categoria que socorreu vítimas de tragédias como a queda do telhado do Complexo Natal Luz e o acidente da Serra Dona Francisca, sem nunca ter recebido qualquer suporte psicológico ou o devido reconhecimento público.
Encerrando as manifestações, a presidente do Sinsej, Mara Tavares, subiu à tribuna para dar o tom da luta contra a privatização dos serviços públicos. Relatou as visitas que a entidade tem feito a unidades de saúde e ao Hospital São José, “mais uma vítima desse avanço das terceirizações” no município, e denunciou a imagem que circulou na própria audiência de uma refeição precária servida aos trabalhadores do SAMU. Mara foi direta: o desrespeito à categoria é nítido, e o sindicato seguirá cobrando e , dialogando com servidores e população, para barrar o avanço da terceirização sobre o atendimento de urgência da cidade.

A reestruturação da sede: o primeiro passo arrancado pela mobilização
Pressionada pelas falas de trabalhadores e sindicato, a secretária de Saúde, Daniela Cavalcanti, foi obrigada a admitir publicamente, ainda durante a audiência, que a Prefeitura está em fase de finalização do estudo de viabilidade financeira para a reforma da sede do SAMU.
É esse o primeiro resultado concreto que a mobilização consegue arrancar da Prefeitura nesta audiência: depois de meses reivindicando uma sede própria e digna, com espaço adequado de descanso, alimentação e higienização das ambulâncias, os trabalhadores do SAMU e o sindicato obtêm o compromisso público de que a reforma da sede está, finalmente, saindo do papel.
É um primeiro passo, mas este combate está longe de acabar. O sindicato deixou claro na audiência que não vai aceitar a revogação da estrutura pública do SAMU nem a substituição de servidores concursados por mão de obra terceirizada, e que os encaminhamentos apresentados por Wellington Laufer pelo Sinsej (revogação do edital 06/2026 e reestruturação completa do serviço) continuam sendo a pauta do Sinsejdo sindicato daqui para frente. Como resumiu a presidente do sindicato ao final da sessão, noite, o desrespeito à categoria que socorre a população de Joinville é nítido, mas os trabalhadores e o Sinsej não vão se calar diante das tentativas de entregar o SAMU à iniciativa privada.
Assine o abaixo-assinado contra a privatização dos serviços públicos neste link, participe das atividades do sindicato, das audiências e ajude nessa luta!
