Serge Goulart, presente!

Na noite da última sexta-feira (4/9), a classe trabalhadora perdeu Serge Goulart, aos 72 anos de vida. Sua trajetória política começou ainda na luta contra a ditadura no Brasil, tendo participado do Movimento Pró-PT, em 1979, e da fundação do Partido dos Trabalhadores. Foi secretário-geral do PT de Santa Catarina e membro do Diretório Nacional do partido. Em 1983, foi delegado ao Congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e, no ano seguinte, participou da coordenação, em Santa Catarina, da campanha pelas Diretas Já. Serge era secretário geral da Organização Comunista Internacionalista (OCI), organização da qual fazem parte todos os membros da direção executiva do Sinsej. 

Recentemente, Serge explicou: “a cabeça pensa onde os pés pisam”. Toda sua experiência entre a classe operária fez dele um dirigente com uma capacidade única de traduzir conceitos complexos do materialismo histórico dialético, do marxismo, em frases certeiras que pudessem ser compreendidas por qualquer pessoa.

 

Os pés de Serge pisaram em diversas atividades organizadas pelo Sinsej nas últimas décadas: suas profundas análises sobre a situação política no Brasil e no mundo iluminaram a mente da nossa categoria no 2º Seminário da Previdência, em 2016, no 2º Congresso do Sinsej, em 2018 e, em 15 de março de 2017, explicou a história da previdência social para milhares de servidores paralisados que lotaram a Sociedade Ginástica.

Em 2013, o Sinsej editou e distribuiu centenas de exemplares do livro “Devolvam nossa previdência”, escrito em 2001 por Serge e reeditado junto a outro importante dirigente da OCI, Luiz Bicalho, incluindo no texto atualizações de um dos primeiros golpes de Lula à classe que o elegeu presidente: a reforma da previdência dos servidores federais (2003).

 

Serge também participou do planejamento do Sinsej de 2026, junto à diretoria plena do sindicato. Mesmo quando não estava presencialmente nas atividades organizadas pelo Sinsej, era a política sindical que aprendemos e construímos com ele que guiava nosso trabalho na direção desse sindicato, e continuará guiando. 

Em novembro de 2017, o Seminário de Liberdade e Independência Sindical aconteceu no Sinsej e formou dirigentes sindicais, trabalhadores e a juventude que, como insistia Serge, precisa ser ensinada a enxergar o mundo com os olhos da classe trabalhadora. Na ocasião, estudamos profundamente as origens e o desenvolvimento do fascismo e de seus sindicatos na Itália, que inspiraram a estrutura sindical CLT varguista no Brasil. Até os dias de hoje, a forma de organização e financiamento das entidades da classe trabalhadora imposta por Getúlio atrela o movimento sindical ao Estado, adapta, corrompe, força a conciliação entre as classes e desvia os dirigentes da luta pela emancipação dos trabalhadores. 

 

Serge ajudou a construir o PT, primeiro partido operário independente do Brasil, cujos militantes gritavam “PT, PT, PT, trabalhadores no poder”. Em sua origem era um partido sem patrões. Durante décadas Serge combateu a pressão que a burguesia e seu Estado fazem sobre o movimento operário, que acarretou na degeneração do partido que hoje governa com e para a burguesia. 

 

Serge compreendia, como revolucionário bolchevique, comunista, o combate central da construção da organização revolucionária, a fração mais resoluta no combate por um partido verdadeiramente dos trabalhadores, para a defesa dos interesses imediatos e históricos de nossa classe. Nesse sentido, dedicou-se integralmente à construção da Organização Comunista Internacionalista, até o último dia de sua vida. Participou ainda, na última semana, do Podcast Prelúdio, que pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=ut4326qM_-c.

 

Serge deixa sua companheira de vida, Bel, e duas filhas, Isadora e Laura. Sua partida deixa uma imensa lacuna, mas, acima de tudo, um legado de luta, organização e compromisso revolucionário. Em um dos últimos artigos que Serge escreveu, reafirmou a importância da organização independente da classe trabalhadora:

 

“Só a organização independente do proletariado pode salvar a humanidade da barbárie capitalista. Só um partido operário independente e uma verdadeira Internacional independente, com base no programa marxista, pode libertar a humanidade dos grilhões que a oprimem.” (03/09/2026)

 

É com esse espírito que seguimos. No próximo período, o Sinsej vai organizar atividades de formação e de homenagens ao camarada. Neste momento de dor, reafirmamos nosso compromisso de manter viva sua memória e continuar a luta à qual Serge dedicou toda a sua vida. Afinal, como ele gostava de lembrar, “estamos aqui pela humanidade!”*

 

Serge Goulart, presente!

*frase proclamada pelos communards durante a Comuna de Paris (1871)

 

 

 

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