UPA Sul: visita do Sinsej aponta sobrecarga de equipes, falta de servidores e precarização das condições de trabalho

O Sinsej esteve nesta terça-feira (21) na UPA Sul para acompanhar de perto as condições de trabalho enfrentadas pelos servidores da unidade. A visita confirmou problemas que o Sindicato vem denunciando há anos: equipes reduzidas, adoecimento crescente dos trabalhadores, sobrecarga de trabalho e sucateamento da estrutura, fatores que comprometem, tanto a saúde dos profissionais, quanto a qualidade do atendimento prestado à população.

Um dos principais relatos recebidos durante a visita diz respeito ao elevado número de servidores afastados por atestados médicos, reflexo de um ambiente de trabalho marcado por jornadas extenuantes, pressão permanente e condições de trabalho cada vez mais estressantes.

Segundo os trabalhadores, para suprir a ausência desses profissionais, a gestão costuma justificar a abertura de horas extras sob o argumento de “alta demanda”. Na prática, porém, o problema apontado pelas equipes é outro: a insuficiência de servidores efetivos para atender às necessidades permanentes da unidade.

O quadro se agrava porque muitos servidores já não conseguem assumir jornadas extraordinárias. O desgaste físico e emocional acumulado faz com que a realização de horas extras deixe de ser uma alternativa viável para quem já enfrenta rotina intensa de atendimento.

Além disso, vagas deixadas por profissionais que ingressaram no Programa de Reabilitação Profissional (PRP), bem como por servidores removidos para outras unidades, permanecem sem reposição. Conforme relatos recebidos pelo sindicato, já são mais de uma dezena de postos vagos, especialmente entre enfermeiros e técnicos de enfermagem.

A consequência é sentida diariamente pelas equipes, que precisam absorver o trabalho de colegas ausentes em setores estratégicos como classificação de risco, coleta de exames, atendimento de emergência e observação, acumulando funções e aumentando ainda mais a pressão sobre os trabalhadores.

Esse cenário produz um ciclo perverso: reduz-se o quadro de servidores, aumenta-se a sobrecarga de quem permanece, cresce o adoecimento da equipe, o atendimento é precarizado e, posteriormente, utiliza-se esse mesmo quadro como argumento para defender a terceirização dos serviços, sem enfrentar a verdadeira origem do problema: a falta de investimento em servidores públicos de carreira. 

Outro aspecto constatado durante a visita diz respeito às condições materiais da unidade. Servidores relataram a existência de maca com parte lateral danificada, equipamento com alça quebrada e o aparelho de ar-condicionado da sala de observação inoperante desde o mês de janeiro, situação que afeta trabalhadores e pacientes. Também foi relatada preocupação com o fornecimento de materiais de proteção, como as luvas vinílicas sem talco, para servidores com problemas de alergia.

Para o sindicato, cuidar da saúde da população passa necessariamente por cuidar de quem presta o atendimento. Isso significa garantir equipes completas, condições adequadas de trabalho, equipamentos em bom estado, fornecimento regular de EPIs e uma política permanente de prevenção ao adoecimento dos servidores.

Por estes mesmos problemas, os servidores das UPAs Sul e Leste já chegaram a suspender suas atividades (8/12/25) por algumas horas, inclusive sendo penalizados com desconto em seus salários e, de lá para cá, embora com algumas medidas paliativas tomadas na ocasião, as condições de trabalho só pioram, o que leva os servidores e o sindicato a reforçarem a necessidade de se armarem para novos combates.

O Sinsej acompanhará os encaminhamentos relativos às situações relatadas na visita e cobrará da administração municipal providências concretas para solucionar os problemas apontados, reforçando que fortalecer o serviço público e valorizar seus trabalhadores é o caminho para assegurar um atendimento digno e de qualidade à população de Joinville.

One thought on “UPA Sul: visita do Sinsej aponta sobrecarga de equipes, falta de servidores e precarização das condições de trabalho

  • 22 de julho de 2026 em 13:31
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    O reflexo de descaso!
    Infelizmente existe o descaso da PMJ em relação a saúde pública em Joinville,basta ver os exemplos do texto acima!
    A atual administração da PMJ de extrema direita vê a saúde pública como gasto,não como investimento público em qualidade de vida para a população!
    Falta de médicos,profissionais de sáude,medicamentos em postos de saúde ,super lotação em hospitais é o reflexo da crise da saúde em Joinville!
    Transformar essa situação depende de nós! Voto não tem preço,tem consequências!

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