Somos os 99% e temos direito a uma vida plena

O ano de 2016 iniciou quente. Se em 2015 já sofremos com tentativas de retirada de direitos, inflação alta, demissões – este ano promete ainda mais ataques. Sob o argumento da crise, patrões e governos demitem, atrasam salários, retiram direitos e benefícios, não reajustam salários… Em paralelo, acaba de ser noticiado que os 1% mais ricos do mundo ficaram ainda mais ricos em 2015 e, agora, sozinhos concentram mais riqueza que os outros 99% da população. Essa situação é clara no Brasil. Enquanto milhares foram demitidos em nossa região, aliados a centenas de milhares país afora, os bancos registraram lucros recordes. Enquanto empresas de fundo de quintal faliram, as grandes corporações aumentaram seus lucros. Está claro que a crise só atinge “os de baixo”.

Dilma e o PT tentam unificar a esquerda em torno de si, para proteger seu governo, com o discurso de “golpe da direita” e a necessidade de defender a democracia. Enquanto isso, seu governo aplica a dura cartilha da direita. Anuncia para este ano nova reforma da Previdência. É intenção de Dilma, com o apoio de todos os partidos de direita, elevar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos. Também está na mira do governo a destruição das leis trabalhistas, instituindo a regra do negociado sobreposto ao legislado. Dilma, ainda, planeja mais impostos, como a CPMF, o fim do reajuste das pensões baseado no salário mínimo, além de toda a política de corte de investimentos sociais e de privatização dos serviços públicos.

Alguns setores da direita insistem no impeachment. Apenas pela voracidade de tomar os cargos e o poder em suas próprias mãos. Porém, não nos iludamos: a política do atual governo é a dos partidos de direita. Pode variar em intensidade, mas sempre foi interesse da direita retirar direitos dos trabalhadores para ampliar os lucros da grande burguesia.

A juventude, desde 2013, está mostrando aos trabalhadores qual é o caminho. Seja pelos enfrentamentos daquele ano, que fizeram retroceder o aumento de vinte centavos no vale-transporte, seja nos enfrentamentos do final do ano passado, quando fizeram o governo de São Paulo cancelar o fechamento de escolas. Não existe saída para a classe trabalhadora e para a juventude que não seja uma ampla unidade, organização e disposição para a luta.

Não pagaremos pela crise. Não pagaremos para que a grande burguesia fique ainda mais rica. Não aceitaremos atrasos nem congelamento de salários. Não aceitaremos qualquer retirada de direitos. Está na hora dos “de baixo” serem ouvidos. Os “de cima” já lucraram muito com o nosso esforço. Se não querem livremente diminuir seus lucros para que possamos viver, vamos arrancar nossa sobrevivência deles.

Participe da Campanha Salarial em sua cidade. Não é só pelo reajuste. É por dignidade. É pelo futuro. É por nossos filhos.

Editorial publicado no Jornal do Sinsej de fevereiro de 2016

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