Professores da rede municipal são recebidos com ofensas por vereadores da câmara.
O Sinsej tentou por meses contato com o secretário de Educação, Diego Calegari. Assim, com um volume cada vez maior de reclamações, os servidores em assembleia decidiram paralisar os trabalhos e fazer uma manifestação, no dia 17, em frente à Secretaria. Eles apresentaram um abaixo-assinado com mais de 2 mil assinaturas, protocolado em seguida também na Prefeitura, onde foram informados que a prefeita Rejane Gambin (Novo) estava fora da cidade – em um dia de paralisação previamente divulgada.
Logo após, a categoria decidiu caminhar até a Câmara de Vereadores para expor as reivindicações e pedir apoio dos parlamentares. Manifestações como essa são legítimas e democráticas, são direito de qualquer cidadão. Lá chegando, no entanto, os trabalhadores foram recebidos com hostilidade e discursos eleitorais mais agressivos que o costumeiro, desvirtuando completamente a pauta apresentada.
Trabalhadores que lutavam pela educação foram submetidos a ouvir de parlamentares presentes coisas como “a esquerda é assassina e perseguidora” (Willian Tonezi – PL), “vocês não representam os auxiliares e os servidores” (Diego Machado – PSD), “se tem faccionado, a esquerda está do lado do faccionado” (Mateus Batista – União Brasil), entre outros absurdos.
Um requerimento proposto pela vereadora Vanessa da Rosa – PT permitindo 10 minutos de fala do sindicato foi votado. Tonezi (PL), Matheus Batista (União Brasil), Neto Petters (Novo), Érico Vinícius (Novo) e Instrutor Lucas (PL) votaram contra, mas perderam a votação.
O tempo de explanação foi dividido entre a presidente do Sinsej, Mara Tavares, e o diretor Maciel Frigotto, mas não sem interrupções do presidente da mesa, que buscava controlar o que eles diziam, atrapalhando a fala dos representantes dos trabalhadores.
Tudo isso, apenas expôs mais uma vez que o Legislativo não está feito para ficar ao lado classe trabalhadora. E que, para serem ouvidos, é preciso que os trabalhadores se mobilizem em grande número, com manifestações e paralisação do trabalho, com faixas e palavras de ordem. Esta é a única linguagem que a classe dominante e seus representantes no parlamento compreendem. Eles sabem disso e, para evitar a presença da população, há anos as legislaturas que se sucedem vêm ampliando medidas, como a instalação de catracas na entrada e, mais recentemente, a proibição do direito de fala das entidades.
Lembremos ainda que esses vereadores que hoje usam sem autorização imagens de servidores que estavam na Câmara, distorcendo os fatos nas redes sociais, são os mesmos que negaram o direito do Sintraej (sindicato dos trabalhadores da Companhia Águas de Joinville) de usar o espaço da Tribuna Livre para falar contra a privatização da empresa na Casa.
São os mesmos que aprovaram uma reforma administrativa que custou quase R$ 100 milhões aos cofres públicos, mesmo que nas audiências públicas lotadas as manifestações fossem todas contrárias a isso.
São os mesmos que fecham os olhos para as terceirizações que consomem o orçamento público e entregam péssimos serviços à cidade.
Não é possível guardar ilusões em nenhum dos vereadores desta Câmara. Lembremos que até mesmo a única vereadora do PT (colocar aqui o que ela falou sobre a lei não se aplicar me Jlle). Como sempre, e mais do que nunca, a emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora, arrancada com organização e luta.
O Sinsej é o representante eleito e politicamente reconhecido dos servidores municipais de Joinville, com um programa de defesa incondicional desta classe. Ele busca mobilizar os trabalhadores em suas reivindicações e seguirá atuando com essa orientação.
O ataque a um servidor, ou a um grupo de trabalhadores, é um ataque a toda a nossa classe. Não hesitaremos em denunciar cada político que ousar se promover às custas de quem verdadeiramente trabalha pelo bom funcionamento dos serviços públicos.
