Para entender o imperialismo

A política externa dos Estados Unidos não se dissocia de sua realidade interna. Ambas são faces da mesma moeda, cunhada na violência de Estado e na manutenção de um sistema de pilhagem e desigualdade. Enquanto a ditadura Trump impulsiona a própria economia sob o manto da “liberdade” e “moral” para roubar petróleo de outros países, a violência interna também mostra sua cara.

No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e derrubaram o governo de Nicolás Maduro. Em uma operação organizada pela CIA e o exército norte-americano, o presidente venezuelano foi tirado do país e levado a Nova Iorque para responder por “crimes de envolvimento com o narcotráfico”. Um dia após a ação, o presidente americano, Donald Trump, ofereceu uma coletiva de imprensa e afirmou que os Estados Unidos governariam a Venezuela de forma interina até a transição.

Trump também afirmou que, a partir daquele momento, empresas privadas americanas explorariam o petróleo no país.

Historicamente, todas as invasões e guerras imperialistas são travadas por controle de zonas comerciais e de influência. E, na Venezuela, não é diferente. Não há motivos nobres ou de elevada moral que possam justificar estes conflitos, independente do regime do país invadido. No começo dos anos 2000, por exemplo, uma guerra organizada pelos EUA, Espanha e Reino Unido contra o Iraque deu conta disso. A razão era uma suposta relação do país com armas de destruição massiva, que deu aval à invasão.

Mais de 20 anos depois, nenhuma prova de armas foi encontrada, mas atualmente o Iraque exporta 80% do seu petróleo para os Estados Unidos e seus aliados europeus.

As razões sobre “ditadura” são um caso à parte. Maduro perseguiu, não só opositores, mas a própria esquerda no país. O Partido Comunista Venezuelano (PCV) chegou a ser acusado por Nicolás Maduro de serem “agentes do imperialismo” por se opor à política do seu governo. Maduro, ademais, permitiu que a oligarquia venezuelana continuasse a explorar o povo, e seu governo foi um mar de corrupção que se aliou, inclusive, à direita do país em nome da “governança”.

Ainda assim, é importante ressaltar que, para os EUA, existem as ditaduras de conveniência. Roosevelt já dizia, sobre o ditador da Nicarágua, Anastasio Somoza: “He may be a son of a bitch, but he’s our son of a bitch” (Ele pode ser um filho da p***, mas é o nosso filho da p***).

Assim acontece com Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, entre outros — todas ditaduras aliadas aos Estados Unidos. Das mais de 40 que Trump poderia escolher para invadir em nome de uma pretensa “liberdade”, escolheu exatamente a Venezuela, dona de 1/5 do petróleo mundial. Um suposto envolvimento com o narcotráfico foi apenas um catalisador desta demagogia. Depois de invadir o país, Trump deixou de se preocupar com o tráfico de drogas e já não o menciona. A preocupação sempre foi o petróleo.

E o que o movimento sindical tem a ver com isso?

O presidente norte-americano afirmou que os EUA vão “aumentar sua força no ocidente”, e isso inclui especialmente a América Latina. “Aumentar a força” nada mais é do que subjugar os povos, seja politicamente ou com a própria força armada, enfraquecendo e eliminando sua soberania. A prioridade agora seria “recuperar nosso quintal”, como afirmou o Pete Hegseth, secretário de defesa de Trump, referindo-se à América Latina.

E é aqui que todos os trabalhadores, inclusive aqueles que compõem a base dos servidores, devem começar a se preocupar. A entrega do pré-sal, a pilhagem norte-americana de petróleo da Venezuela e todas as ditaduras e camarilhas organizadas pelos Estados Unidos só têm um objetivo: atacar os investimentos aos serviços públicos, a riqueza dos países, os trabalhadores e sua organização. Não existe motivo ungido por trás das ações da ditadura Trump, inclusive em sua própria casa.

A recente morte de dois civis, Renee Good e Alex Pretti — assassinados a tiros por agentes da ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) — não é um incidente isolado. Ela expõe a brutalidade de uma polícia que atua como uma verdadeira Gestapo, perseguindo imigrantes, semeando o terror em comunidades e operando com impunidade letal. A ICE é a ponta de lança de uma política anti-imigrante que criminaliza a pobreza e a busca por dignidade, refletindo a mesma lógica desumana que justifica o assassinato coletivo de povos soberanos através de sanções.

O paralelo é evidente: a mesma nação que fabrica crises humanitárias para depois instrumentalizá-las como pretexto para intervenção é a que fabrica o medo dentro de suas próprias fronteiras para legitimar a expansão do aparato policial e o esfacelamento da luta dos trabalhadores.

O Sinsej se posiciona pelo direito à autodeterminação dos povos, sejam eles da Venezuela, Brasil ou qualquer lugar da América Latina e do mundo. Cabe ao povo venezuelano e apenas a ele julgar Maduro e definir sua forma de organização social. Mas primeiramente é preciso compreender que não se leva “democracia” a um país jogando bombas sobre a população.

Quando o sindicato, em posicionamento recente, colocou-se contra o “imperialismo”, não foi por palavras ao vento ou por usar um verbete qualquer. É justamente por ser contra esta velha sanha de oprimir outro país pela força e conflito, para roubar e controlar seus recursos em detrimento dos serviços públicos e de investimentos para a população.

É por isso que o Sinsej se coloca ao lado da classe trabalhadora. Não há país que os EUA toque que não se transforme em um bastião de pobreza e morte. O ataque imperialista à Venezuela é um ataque à soberania de toda América Latina e à classe trabalhadora internacional.

Só a mobilização internacional da classe trabalhadora pode combater a ofensiva do imperialismo.

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