Trabalhador terceirizado, o serviço público também é seu
Nas unidades de trabalho pelas quais esse informativo circula, representadas pelo Sinsej, uma quantidade cada vez maior de trabalhadores não é servidor público.
Isso porque a política de destruição do serviço público já tem quase uma década (em 2017 foi aprovada a lei das terceirizações), sendo fortemente intensificada pelo governo do Novo — política que já tinha sido deixada clara desde a campanha de Adriano Silva.
Você sabia que vigilância, limpeza, alimentação, recepção, obras, pediatria eram trabalhos realizados somente por servidores públicos concursados?
Esse é o futuro pelo qual devemos lutar e, para isso, contamos com os trabalhadores que hoje atuam nas Unidades Básicas de Saúde, escolas, hospital, CRAS, enfim, todas as unidades da prefeitura e que são tão responsáveis pelo atendimento à população quanto os servidores públicos, mas contratados de maneira extremamente precarizada, com salários baixos, descontos indevidos, transferências por assédio, insegurança de contrato — e o caso mais grave: o da cozinha do hospital, cuja empresa terceirizada não recolhia os impostos trabalhistas há meses e não era devidamente fiscalizada pela prefeitura, terminando com um abandono da prestação de serviço, mas, principalmente, do salário e da rescisão dos trabalhadores.
Essas empresas privadas contratam os trabalhadores, que em sua grande maioria são jovens em seu primeiro emprego, com baixíssimos salários (numa carga horária de 6 horas, os recepcionistas, por exemplo, ganham menos de um salário mínimo) e sem a oferta de uma capacitação adequada.
Ainda assim, esperam retorno positivo sem fornecer instrumentos apropriados para tal. Exemplo disso é a falta de acesso ao sistema administrativo destes espaços públicos pelos trabalhadores terceirizados que não conseguem fazer seu trabalho corretamente. Quem sente o resultado disso é diretamente a população, que não vê suas necessidades sendo supridas.
Por isso, a partir dessa edição, teremos um espaço dedicado a tratar dos problemas dos trabalhadores terceirizados. Nosso objetivo é convidar o conjunto da classe trabalhadora a lutar conosco pela reversão de todas as terceirizações, por concurso público para os cargos hoje terceirizados e pela defesa do serviço público gratuito e para todos. Todo dinheiro público para o serviço público.
O Sinsej, em conjunto com outros sindicatos, vai realizar, ainda no primeiro semestre, um seminário em defesa do serviço público, contra as privatizações — atividade que é parte da campanha que realizamos contra a privatização da Companhia Águas de Joinville, empresa pública municipal, onde também a maior parte dos trabalhadores já é terceirizada.
Neste seminário, discutiremos quanto dinheiro público é desviado para a mão de empresários que lucram com a superexploração dos trabalhadores terceirizados. A única justificativa real para adotar a terceirização é enriquecer os companheiros de classe do prefeito e precarizar o atendimento à população, além de ser uma estratégia para desagregar o movimento sindical, uma vez que os trabalhadores terceirizados têm patrões intermediários diferentes e são representados por outros sindicatos.
Nas mobilizações que fizermos durante a campanha salarial, assembleias, paralisações e greves, convidamos os trabalhadores terceirizados a explicar para a população, junto aos servidores, o imenso ataque e falta de condições de trabalho que a prefeitura tem exposto à população joinvilense e que engrossem as fileiras da luta em defesa do serviço público.
Eles querem nos dividir, mas a nossa única possibilidade de vitória é superar qualquer divisão que exista entre servidores e terceirizados e, ombro a ombro, solidariamente, derrotar os governos e patrões que estão destruindo os serviços públicos.
