Educação improvisada: escolas da periferia enfrentam falta de estrutura e de profissionais
É histórica, em Joinville, a marginalização das comunidades do Jardim Edilene (Paranaguamirim) e do Morro do Amaral. Nessas regiões, a precariedade deixou de ser apenas um problema administrativo e passou a revelar a ausência de investimentos. As escolas municipais Professora Rosângela Martinowsky Baptista e Professor Reinaldo Pedro de França são, hoje, retrato dessa desigualdade que atinge estudantes e trabalhadores da educação na periferia.
Na Escola Professor Reinaldo Pedro de França, no Morro do Amaral, o espaço é pequeno e disputado. A falta de estrutura transformou a sala dos professores em um verdadeiro depósito, onde se amontoam materiais, documentos e servidores durante os horários de hora-atividade e lanche. Com poucas salas disponíveis, uma das turmas precisa ter aulas no NEEB (Núcleo Espírita Eurípedes Barsanulfo), que cede um espaço para o funcionamento da escola. A quadra da unidade não possui sequer acessibilidade adequada, dificultando a passagem e colocando em risco a segurança de estudantes e trabalhadores.
À precariedade da estrutura soma-se a falta de profissionais essenciais. A vulnerabilidade social da comunidade do Morro do Amaral parece não ser reconhecida pela Prefeitura de Joinville. Faltam profissionais fundamentais para garantir o acompanhamento pedagógico e social dos estudantes, como supervisor escolar, psicólogo, assistente social e professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com deficiência e necessidades específicas.
Já na Escola Rosângela Martinowsky Baptista, no Paranaguamirim, a ausência de estrutura básica revela outro retrato do abandono vivido pelas periferias. Funcionando ao lado da Escola Municipal Nilson Bender, a unidade depende do compartilhamento de espaços para manter suas atividades. Não possui pátio coberto próprio, quadra esportiva, nem refeitório exclusivo. O cotidiano escolar é marcado pela limitação física e pela necessidade constante de adaptação.
Inaugurada em 2023 pelo ex-prefeito Adriano Silva, a escola foi apresentada como solução para oferecer um espaço adequado aos estudantes da região e encerrar o turno intermediário existente na Escola Nilson Bender. No entanto, a Prefeitura limitou-se à construção de 18 salas de aula e seis banheiros, deixando incompleta a estrutura necessária para o pleno funcionamento da unidade. O resultado é uma escola que nasceu já marcada pelo improviso e pela insuficiência.
Denunciar essas condições não é apenas fazer a constatação de problemas estruturais. É pôr à mostra e denunciar um modelo de gestão que nega aos trabalhadores da educação e estudantes o direito ao mínimo necessário para uma educação de qualidade. Enquanto faltam espaços adequados, profissionais e condições mínimas de trabalho e de aprendizagem, crianças, trabalhadores da educação e famílias seguem sustentando, com esforço diário, aquilo que deveria ser responsabilidade do poder público. Diante dessa realidade, é fundamental transformar indignação em mobilização. É pela organização coletiva e pela luta que essas realidades podem deixar de ser invisíveis e começar, enfim, a ser transformadas.
No dia 17 de junho, a partir das 8h, os trabalhadores da educação da rede municipal realizarão uma paralisação de meio período e um ato em frente à Secretaria da Educação, em busca da inclusão dos auxiliares e trabalhadores da educação no quadro do magistério e de condições de trabalho dignas.
